Uma oportunidade para repensar hábitos, a relação com a bebida e promover melhorias na saúde. Essa é a missão do “Janeiro Seco”, ou Dry January, uma campanha que começou em 2013 nos Reino Unido, que incentiva as pessoas a passarem o primeiro mês do ano sem ingerir álcool.
O movimento durante o mês de janeiro ganhou força nos últimos anos, seja para ter mais disposição para atividade física ou no trabalho, para emagrecer ou preservar mais o organismo.
Em 2018, uma pesquisa da Universidade de Sussex mostrou que o “Dry January” ajuda as pessoas a beber de forma mais saudável durante todo o ano.
O g1conversou com uma brasileira que mora em Londres e é adepta da campanha. Clarissa Rocha diz que o a principal motivação é “desintoxicar” o organismo.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera que não existe dose segura para a saúde no consumo de álcool. Mas mesmo quem tem consciência dos efeitos do álcool no organismo sabe que brindar com bebida alcóolica é um hábito cultural cultivado no mundo todo. E quem escolhe não beber álcool muitas vezes precisa conviver com amigos que o fazem em reuniões e confraternizações.
Se você tem intenção de dar uma longa pausa ou parar de vez com a bebida, fique atento às dicas do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA):
⚠️ ATENÇÃO: em casos de dependência mais grave, a interrupção do álcool deve ter orientação médica, pois pode levar a síndrome de abstinência, que causa mal-estar, tremores, dificuldade de sono e até confusão mental e alucinações.
Para quem quer parar de beber e precisa lidar com os questionamentos de familiares ou amigos, Mariana Thibes, coordenadora do CISA e doutora em sociologia, aconselha:
“Esteja confiante e firme na sua escolha. Responda de forma objetiva que não vai beber. Dar muitas justificativas pode abrir espaço para ainda mais questionamentos”.
A gerente de escritório brasileira Clarissa Rocha mora em Londres há mais de 10 anos e está no terceiro ano de Janeiro Seco. Na primeira vez, ela conseguiu ficar oito dias sem beber. Na segunda, chegou a 15 dias. Neste ano, está focada em ficar 31 dias sem álcool, assim como seu marido.
“Fui diretamente influenciada pela campanha, que é muito forte no Reino Unido. Janeiro é um mês morto por aqui, muito frio. Aqui, no geral, os jovens aderem muito a essa campanha. É muito popular”, diz Clarissa.
Clarissa costuma beber com frequência e conta que o principal objetivo ao aderir ao movimento é desintoxicar. A brasileira nunca decidiu parar totalmente porque diz gostar do sabor da cerveja e do vinho e sente que o álcool causa um relaxamento, mas vê as interrupções temporárias como uma vitória.
Ela reconhece que conseguir dar uma pausa no álcool traz uma sensação de que há um controle sobre o seu corpo e até viu mudanças, como diminuição do inchaço corporal e redução do peso. No entanto, confessa que se estivesse no Brasil talvez não entrasse no Janeiro Seco.
“Janeiro é muito quente, mês de férias e tem carnaval logo depois. E consequentemente todos os eventos de pré-carnaval. Eu se tivesse no Brasil, nunca conseguiria (risos). Mas aqui na Inglaterra é mais fácil”, declara a Clarissa.
O mestre em endocrinologia Rafael Buck Giorgi, diretor do Departamento de Adrenal e Hipertensão da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), explica que, quando paramos de ingerir álcool, nosso corpo passa por várias mudanças, tanto no curto, quanto no longo prazo.
Nas primeiras horas 12 horas, o fígado começa a metabolizar o álcool remanescente no organismo. A maior parte dele é convertida em acetaldeído, uma substância tóxica que é, posteriormente, transformada em compostos inofensivos para finalmente ser eliminada. O corpo também começa a recuperar os níveis de hidratação, já que o álcool pode agir como diurético, causando desidratação.
No cérebro, as alterações estruturais podem começar a melhorar em poucas semanas de abstinência. Além disso, a neuroplasticidade permite uma reorganização funcional, contribuindo para a recuperação de funções cognitivas e emocionais, explica o neurologista Fidel Meira, membro da Academia Brasileira de Neurologia (ABN).
“O álcool é realmente nocivo ao cérebro, especialmente em padrões de consumo crônico ou quando a pessoa consome grandes quantidades em pouco espaço de tempo. Ele causa atrofia cerebral, perda de substância branca, alterações moleculares e neuroquímicas, que afetam a cognição, memória e comportamento. Além disso, está associado a condições graves como demência alcoólica e neuropatias”, pontua o neurologista.
Meira alerta ainda que o impacto é ainda mais significativo durante a adolescência, quando o cérebro está em desenvolvimento.
Em relação ao fígado, o hepatologista da Unicamp Tiago Sevá explica que o grau de melhora após a abstinência depende muito de quanto o órgão já foi afetado.
“Pessoas com alterações mais leves, sem doença crônica e sem fibrose (cicatriz), podem ter normalização completa do fígado em algumas semanas (4 a 6 semanas). Já pessoas com doenças avançadas, como cirrose, em geral vão apresentar melhora importante da função do fígado, porém pode demorar alguns meses, e a regeneração não será completa”, diz Sevá.
⚠️ Para essas pessoas que já têm problema no fígado, mesmo o uso moderado pode ser muito prejudicial. É considerado moderado até 2 doses de bebida ao dia ou 14 doses na semana para homem, e até 1 dose por dia ou até 7 doses na semana para mulheres (1 dose equivale a 1 lata de cerveja ou 1 taça de vinho ou 1 dose de 50ml de destilado).
“O uso de quantidades maiores de 60 a 80 gramas de álcool por dia (equivalente e 4-6 doses por dia) por pelo menos duas semanas já leva a alterações estruturais do fígado. E se mantiver esse padrão por anos, há alto risco de desenvolver cirrose”, declara Sevá.
O especialista em Psiquiatria e Integrante do Núcleo/Centro de Álcool e Drogas no Hospital Sírio-Libanês Arthur Guerra destaca que parar de beber por um mês ajuda a questionar se aquele consumo é realmente necessário ou se é apenas fruto de hábito ou influência de amigos ou familiares.
“Há pacientes que revelam só beber porque familiares bebiam e rever esses padrões é fundamental para evitar que comportamentos prejudiciais se perpetuem”, afirma o psiquiatra.
Confira as mudanças principais, por períodos de abstinência:
Primeiros dias:
Primeiras semanas:
Primeiros meses:
Longo prazo (6 meses ou mais):
“Parar de beber álcool traz inúmeros benefícios à saúde, incluindo melhora na qualidade de vida, recuperação cognitiva, estabilização emocional e redução do risco de doenças graves como cirrose e neuropatias. Além disso, a abstinência promove benefícios imediatos, como sono mais reparador e maior disposição física e mental. Para quem busca melhorar a saúde geral e bem-estar, a interrupção é um passo transformador”, acrescenta Meira.
Para quem enfrenta dificuldades, mas tem esta intenção, o neurologista diz que é essencial buscar apoio profissional e estabelecer metas realistas. Estratégias como terapia motivacional, grupos de apoio e o uso de medicamentos anti-desejo podem ajudar a superar barreiras. Com suporte adequado, é possível superar os desafios e alcançar a sobriedade.
Giorgi explica que o tempo necessário para eliminar completamente o álcool do organismo varia de pessoa para pessoa e depende de fatores como a quantidade ingerida, o peso corporal, o sexo, a idade e o funcionamento do fígado.
Em casos de intoxicação alcoólica moderada, o álcool pode ser detectado no sangue por até 12 horas, na urina por 12 a 24 horas, e no ar expirado (bafômetro) por até 24 horas. Para quem ingeriu uma quantidade muito elevada de álcool, a eliminação completa pode levar 24 horas ou mais.
Fonte: G1
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