Carlos Alberto Josuá Costa

“Para o escritor, um lápis, uma inspiração e um papel”.

Um dia desses, recebi um pedido de socorro pelo whatsapp: “Peço que você me ajude. Escrevi uma crônica, mas ficou meio confusa – eu acho- porque realmente tive um bloqueio criativo com o tema”.

Era um “grito” de minha sobrinha/afilhada, Luana Wanderley T. C. Gomes, que pediu que eu lesse o texto escrito e desse minha opinião, pois ela estava muito ansiosa.

Fiquei curioso. Afinal a pequena escritora, com seus 14 aninhos, é uma adepta da leitura desde as primeiras letras. Não raro é encontrá-la abraçada a um livro, degustando suas histórias.

No intervalo da espera por tão grande deferência, me lembrei do professor Dalton Melo de Andrade, que diz: “Escrever é uma arte. Para alguns, fácil. Para outros, uma dificuldade. Estou no meio. Gosto de escrever. Quando tenho inspiração, a palavra vem fácil”.

Sempre que sou indagado como fazer para escrever, respondo: um esportista do tiro precisa da arma, da concentração e do alvo. Para o escritor, um lápis, uma inspiração e um papel. Como nas demais atividades o passo seguinte é praticar.

Rabiscar uma palavra atrai outra e, quando isso acontece, a “lâmpada” acende a mente e, forma a ideia que sequencia o pensamento escrito.

Certa vez em um treinamento para gestores (tema: Percepções), após distribuir uma folha de papel e uma caneta, disse: cavalo. Passados alguns minutos, pedi que cada um mostrasse sua folha. Como era de se esperar, vários foram os resultados: em branco, a palavra, o desenho. Voltei ao exercício: descrevam seu “cavalo”. Agora sim. Surgiram cavalos de todas as raças, brancos, marrons, pretos, praticando hipismo, correndo vaquejada, passeando pelos campos. Isso só foi possível, porque simplesmente venceram a preguiça mental.

Assim acontece com quem gostaria de rabiscar qualquer coisa, mas a danada da paralisia mental faz com que posterguemos o momento de escrever.

Bem, voltemos a nossa querida Luana e leiamos o seu texto:

 

UMA LUTA CONSTANTE

Num sábado qualquer.

Estava no meu quarto viajando nas páginas de um livro, quando o celular tocou e eu atendi. Era minha amiga Isadora convidando para eu ir até a casa dela, e claro que aceitei.

Chego alegre à cozinha onde minha mãe estava preparando o almoço e pergunto: – Mãe, eu posso ir à casa de Isadora? É aí que a minha luta começa. Ela responde: “Terminou suas atividades de casa?” – Sim mãe, eu terminei. “Já estudou hoje?” – Sim mãe, eu estudei. “E limpou seu quarto?” – Sim mamãe. “E… E…” – Eu já fiz tudo o que a senhora pediu.

Perguntei aflita: – Posso ir agora à casa de Isadora? Essa era a cartada final da luta do dia e, tudo dependia dessa resposta. Meu coração palpitava sentindo que o diálogo caminhava para o sucesso. Quando meu sorriso já começava a franzir o canto da boca, eis que ela rebate: “Quer saber? Você está saindo muito esses dias. Hoje, você fica em casa”.

Como na maioria das vezes, minha mãe venceu novamente. Eu fiz o que podia ser feito. Mandei uma mensagem para Isadora: ‘Nadica de nada, hoje não vou poder ir’. E como que dando a volta por cima, comecei a ajudá-la nos afazeres culinários. Aproveitamos para “trocar” conversas e terminamos comentando sobre os últimos capítulos da novela.

Da próxima vez pretendo mudar a estratégia: ajudo primeiro e depois dando um abraço nela, digo: sua filhinha tá com tanta vontade de ir visitar Isadora!

Pelo menos assim, não começaria outra luta e ninguém sairia perdendo.

 

A jovem Luana foi muito bem ao iniciar sua criação literária através de uma crônica narrativa – redação curta e condensada – que capta um flagrante da vida real, com personagens, cenários e um conflito. Além de possuir introdução, clímax e conclusão.

Cumprida minha “obrigação”, parabenizo Luana, incentivando-a a expressar sua criatividade, de modo a permitir explorar e desenvolver a habilidade da escrita de novos textos e, prepará-la para maiores desafios literários que se formarão a frente.

E você? Tá vendo aquele papel? Traga ele para perto e escreva com apenas uma palavra o que achou deste artigo.

Pronto! Viu como é possível escrever! Agora que tomou gosto escreva mais umas palavrinhas.

Faz um bem danado e deixa você mais feliz.

Carlos Alberto Josuá Costa – Engenheiro Civil e Consultor (josuacosta@uol.com.br)

Ponto de Vista

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