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Impedida pelo pai de ir à escola na infância, mulher conclui ensino médio aos 91 anos no RN

No próximo dia 28, em São Paulo do Potengi, no Rio Grande do Norte, dona Iracema Morais, de 91 anos, vai viver um momento que esperou por décadas: a conclusão do ensino médio por meio da Educação de Jovens e Adultos (EJA).

A formatura representa a realização de um sonho adiado por décadas. Na infância, ela enfrentou resistência da família para frequentar a sala de aula. O pai, que era analfabeto, não permitia que a filha estudasse.

“Meu pai era analfabeto e não queria que eu estudasse. Eu tinha muita vontade de ir e chorava muito. Só deixaram eu ir para a escola com 10 anos, e consegui concluir até a quarta série. Logo depois, ele me tirou”, lembra.

Mesmo com a interrupção dos estudos ainda na infância, o desejo de aprender nunca saiu dela.

A vida seguiu por outros caminhos. Iracema teve o primeiro filho aos 20 anos e, ao longo dos anos, foi mãe de 16 filhos. Seis morreram. Criar uma família grande trouxe muitos desafios.

“Criei com muita dificuldade, não financeira, mas porque tudo era feito manual, não existia tanta tecnologia. Mas com a ajuda de Deus consegui criar todos eles”, conta.

 

Décadas depois, Iracema decidiu retomar os estudos. Conhecida na rua onde mora por ser comunicativa e ter facilidade com cálculos mentais, ela voltou à escola já sabendo ler, escrever e fazer contas.

“Sempre tive esse sonho de começar a estudar. Foi isso que me fez não desistir, mesmo já idosa. Esperei 76 anos para voltar a estudar”, diz.

Na escola, a idade nunca foi barreira para ela se entrosar. Pelo contrário. Iracema diz que vive essa fase com o entusiasmo de uma adolescente.

“Sou igual a uma adolescente de 15 anos. Me relaciono muito com meus colegas e professores. Por mim, não parava de estudar nunca mais”, afirma.

 

E os planos não terminam com a formatura. Depois de concluir o ensino médio, ela já pensa no próximo passo: quer fazer um curso de Gastronomia.

Exemplo para a família

Para a família, a conclusão dos estudos aos 91 anos é motivo de emoção e orgulho.

“Ter uma mãe formada aos 91 anos inspira a gente a não deixar de buscar conhecimento e mostra que os sonhos podem ser realizados em qualquer idade”, conta o filho, Adelino Netto.

Se fosse para resumir Iracema em poucas palavras, a família diz que escolheria duas: alegria e interação.

Aos 91 anos, Iracema realiza um sonho antigo e mostra, com a própria trajetória, que o desejo de aprender pode atravessar uma vida inteira.

Fonte: G1RN
Ponto de Vista

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