Uma idosa de 84 anos morreu na noite desta segunda-feira (25), em Natal, após quase um mês internada. De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap), o caso é tratado como suspeito de intoxicação por ciguatera.
A ciguatera é uma intoxicação alimentar causada pela ingestão de peixes contaminados com toxinas produzidas por microalgas que se proliferam em recifes de corais tropicais e subtropicais. Os sintomas variam de enjoos a neurológicos. Não há tratamento específico para a ciguatera (entenda melhor mais abaixo).
Maria das Dores do Nascimento Batista, conhecida como Dona Dorinha, era moradora de Alto do Rodrigues, na região Oeste potiguar, mas morreu em Natal, onde estava internada.
A mulher havia consumido um peixe do tipo bicuda antes de apresentar os primeiros sintomas. A Sesap informou que recolheu parte do pescado para realizar uma análise em laboratório. A análise, segundo a pasta, demora cerca de 60 dias para ser concluída.
De acordo com Carla Nepomuceno, parente de Dona Dorinha, a idosa consumiu o peixe no dia 26 de abril, durante um almoço na casa da prima, uma mulher de 74 anos, em Natal.
O peixe foi comprado na feira livre do bairro das Quintas, que acontece todo domingo na Zona Oeste de Natal.
Segundo a família, Dona Dorinha e a prima comeram o peixe por volta das 12h e começaram a passar mal cerca de duas horas depois, apresentando dores abdominais e vômitos.
As duas procuraram atendimento médico por volta das 21h, sendo levadas para um hospital da rede privada em Natal. Em seguida, Dona Dorinha foi transferida para outro hospital particular, por conta do plano de saúde.
Segundo familiares, a idosa deu entrada diretamente na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital, onde permaneceu por 17 dias.
Após apresentar melhora e ser encaminhada para a enfermaria, o quadro de saúde voltou a se agravar. A idosa permaneceu em coma até morrer na noite desta segunda-feira (25).
A prima de Dona Dorinha permaneceu internada por dois dias e recebeu alta hospitalar.
A Vigilância Sanitária recolheu amostras do peixe consumido pelas idosas para análise laboratorial. Segundo familiares, o alimento havia sido dividido em quatro partes: duas foram consumidas e as outras permaneceram congeladas na residência, sendo recolhidas pela equipe de fiscalização.
O velório de Dona Dorinha ocorreu na residência da família, localizada no Sítio Ponciana, em Alto do Rodrigues.
O primeiro surto no estado foi registrado em 2022, acometendo dez pessoas de um mesmo núcleo familiar, associado ao consumo do peixe popularmente conhecido como bicuda (barracuda).
Desde o primeiro caso, foram registrados episódios envolvendo diferentes espécies de peixes, segundo a Sesap, com destaque para barracuda (bicuda), cioba, guarajuba, arabaiana e dourado – incluindo confirmações laboratoriais da presença de ciguatoxina caribenha em algumas amostras analisadas.
Em 2025, ao todo, foram 90 casos confirmados, segundo a Sesap.
A ciguatera é uma intoxicação alimentar causada pelo consumo de peixes que vivem em áreas de corais e recifes contaminados por ciguatoxinas. Essas toxinas estão presentes em microalgas invisíveis a olho nu.
Peixes pequenos comem essas algas e acabam passando a toxina para os peixes maiores e carnívoros.
Quando o ser humano consome um desses peixes de médio ou grande porte, a intoxicação acontece, podendo causar sintomas que variam de enjoos a problemas neurológicos.
A Sesap reforça ainda que as ciguatoxinas são incolores, inodoras e insípidas, não sendo eliminadas por métodos convencionais de cozimento, congelamento, salga e defumação. Uma vez presente no pescado, a toxina permanece ativa mesmo após preparo e digestão. As maiores concentrações das toxinas estão presentes na cabeça, vísceras e ovas dos peixes.
Segundo a Sesap, os principais sinais e sintomas da ciguatera aparecem entre 30 minutos e 24 horas após a ingestão do pescado contaminado, caracterizados por:
Os sintomas podem persistir por semanas ou meses. A Sesap informou ainda que não existe tratamento específico ou antídoto para a ciguatera. Segundo especialistas, o tratamento visa combater os sintomas.
As principais recomendações da Sesap à população são:
O Centro de Informação e Assistência Toxicológica do RN (CIATOX-RN) também pode ser acionado em caso de dúvidas sobre a condução do caso. O Ciatox funciona em regime de plantão 24 horas por meio dos telefones 0800 281 7005 | WhatsApp (84) 98883-9155.
Fonte: G1RN
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