HOSPITAL DA POLÍCIA E A COVID-19 –
A visita ao Hospital da Polícia revela um retrato da ação insuficiente do poder público em ampliar a rede. O hospital tinha sessenta leitos antes da reforma que ampliou a capacidade para 120 leitos. Poderia ser o grande hospital de procedimentos cirúrgicos eletivas, que falta ao SUS, e provoca filas de até 11 mil paciente que esperam anos por suas cirurgias. Veio a crise da pandemia e o hospital hoje tem apenas 20 leitos dos 120 que seriam possíveis dedicados à doença, são 10 de UTI e 10 semi-intensivos. A estrutura e o atendimento são bons. Porque não tem mais leitos? Porque o atendimento envolve itens que existem como o espaço físico, respiradores, e outros que deveriam ser aumentados como recursos humanos e insumos. Na visita constatamos a grande preocupação com a falta de insumos, como os equipamentos de proteção para os profissionais na UTI Covid, que não usam capotes e máscaras descartáveis, o que não é a situação ideal, e o gravíssimo risco de falta de medicamentos para manter os pacientes sedados na Uti, para permitir a ventilação artificial. A falta desses medicamentos pode ser catastrófica, levando ao risco de piora do quadro respiratório do paciente e óbito. No meio das dificuldades encontramos a equipe comprometida, o desejo da Direção de que o hospital pudesse contribuir ainda mais, mas a limitação por parte do governo do Estado em fornecer componentes como profissionais, equipamentos de proteção e medicamentos para cuidar dos pacientes. O quase colapso da rede assistencial de saúde envolve uma série de erros que vão de compras mal executadas, como dos respiradores pelo Consórcio Nordeste, a incapacidade de abrir as Utis prontas no João Machado, 20 leitos, Macaíba, 10 leitos, Maria Alice, 20 leitos, além da abertura mínima de leitos de internamento de suporte em enfermarias, 10 leitos no João Machado que poderia ativar até 100, 20 leitos no Hospital da Polícia que poderia abrir 100, não terminar a ampliação do Droclécio Marque que poderiam representar 80 leitos a mais, não abrir 100 leitos em São Gonçalo que poderiam ampliar ainda mais a rede. Diante desses números que mostram o pouco que foi feito, temos sorte do Sistema ainda estar respondendo. Mas os erros do Governo conduziram a um resultado preocupante, uma mortalidade três vezes maior no setor público que no setor privado. Muitas vidas teriam sido salvas com a rede ampliada e a população melhor assistida.
Geraldo Ferreira – Pres. SinmedRN
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