HINO AO AMOR – Alberto Rostand Lanverly

HINO AO AMOR – 

Para mim, acompanhar a abertura dos Jogos Olímpicos, sempre foi experiência repleta de alegria, por entender tratar-se de espetáculo multifacetado, que une pessoas de todas as partes do globo, celebrando diversidade cultural e excelência esportiva, simbolizando união e paz entre os povos, destacando o orgulho e a esperança de cada nação.

Neste ano, apesar da chuva que castigou a cidade luz, não somente Zinedine Zidane e outros atletas que fizeram história me encantaram, mas também quando Celine Dion, com sua voz poderosa, ofereceu ao evento toque especial, enchendo o entorno da sempre iluminada Torre Eiffel, e todo o planeta, de energia e emoção.

Na inesquecível cerimonia acontecida em Paris, a canadense emocionou e eletrizou o público, interpretando “Hino ao Amor” de Édith Piaf, composição que lembra a força do mais sincero dos sentimentos, onde cada verso é uma promessa solene, declaração de devoção que não conhece limites. O amor, neste canto, é um poder avassalador que desafia a própria existência, capaz de resistir a todas as adversidades e de renascer das cinzas como uma fênix, fortalecendo a liberdade, fraternidade e igualdade.

Encerrados os festejos inaugurais do secular evento esportivo, pensei na realidade do cotidiano, quando em qualquer comunidade, os argumentos pregados na canção e nos princípios defendidos pelo Barão de Coubertin, deixam de possuir, a robustez necessária, manifestando-se pela falta de colaboração e a busca incessante por reconhecimento pessoal de alguns.

Muitas vezes, atitudes de respeito ao próximo e à instituições que pertencem, só se tornam visíveis quando holofotes iluminam suas faces, então eles aparecem, revelando motivações que são mais sobre autopromoção, do que o bem-estar coletivo, se não existirem aplausos não acontece participação, uma vez que tais criaturas priorizam o “eu” em detrimento do “nós”.

Que bom seria que tais pessoas, não almejassem somente a luz dos elogios quase sempre falsos, pois só assim uma comunidade pode florescer, e então como nos esportes coletivos, a verdadeira força residirá na capacidade de seus membros trabalharem juntos, colocando o bem comum acima de expectativas egoístas, construindo resultados sólidos e transformadores.

 

 

 

Alberto Rostand Lanverly – Presidente da Academia Alagoana de Letras

As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores

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