Diogenes da Cunha Lima

O livro do Gênesis, na Bíblia, nos ilumina. Quando fez o homem, deduz-se, Deus ainda não tinha experiência em modelar seres humanos. O material usado era pobre, simplesmente barro. Com ciência divina, fez a mulher já usando matéria viva, nobre, curvilínea, o arco de uma costela.

Mais tendente à linha reta, o homem foi seduzido pelas curvas. A a mulher começou sutilmente a conduzi-lo. Nem sempre bem como aconteceu no episódio na maçã.  Ensinou-lhe que era frágil e precisava de carinho, que era doce e carecia ser amada, que tinha voz aguda e necessitava de uma voz grave no comando. E eles, nós acreditamos. Até um gênio como Shakespeare assim pensa: “Fragilidade, teu nome é mulher”. E Anatole France relata: “A mulher alimenta-se de carícias como as abelhas das flores”.

A coisa mais fácil do mundo para uma mulher é enganar um homem. Difícil é enganar outra mulher. Quase nunca se enganam. Desconfio que elas não têm apenas o sexto, mas um sétimo e oitavo sentidos.

Há mulheres ricas em savoir faire, poesia e hábil sedução. Quase sempre transformam estes atributos em conquistas notáveis.

Conto histórias de duas mulheres valentes que fizeram mudanças fundamentais.

A primeira é Pagu, Patrícia Galvão (1910-1952) uma poeta de Santos, foi jornalista e tradutora. Desde menina, ágil e linda, era a própria transgressão. Insinua-se nos amores de Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral. Oswald, apaixonado, divorcia-se e casa com ela.

Pagu filia-se ao Partido Comunista e é a primeira mulher presa no Brasil por razões ideológicas. Por mais de vinte vezes foi levada à cadeia. Como jornalista, vai à China e ao Japão, seduzindo sempre. Faz longos passeios de bicicleta com Pu-Yi, o último imperador chinês. O poeta Menotti Del Picchin, nosso cônsul na Ásia, diz a ela que os chineses eram ciosos e ciumentos da importância de um feijãozinho rico em propriedades alimentares e altamente produtivo. Ninguém poderia retirá-lo do país. Ela consegue do amado, o imperador, dezenove mudas que são enviadas ao nosso País. O feijãozinho aqui cresceu e se multiplicou, a soja é riqueza nacional. As 19 mudas foram reproduzidas e é hoje plantada em 24 milhões de hectares que produzem 75 milhões de toneladas.

A chilena Michelle Bachelet provocou rupturas contra convenções. Pertenceu a Juventude Socialista, havendo sido presa e torturada. Tornou-se, depois, médica e especialista em cirurgia pediátrica. Foi a primeira mulher a exercer o Ministério da Defesa do seu país. Estuda em Universidade alemã. Aprende também inglês, frances, português e noções básica de russo.

Na presidência da República do Chile (2006-2010) cumpriu as 36 promessas de campanha. Determinou a distribuição da pílula-do-dia gratuita a mulheres a partir dos 14 anos, mesmo sem anuência do responsável, o que causou enfurecidos protestos. Criou os Ministérios de Segurança Cidadã e Meio Ambiente. Afirmando que “somos feitos, os chilenos, de força, de amor e de solidariedade”, luta bravamente pelos direitos da mulher e igualdade dos gêneros. O seu trabalho ganhou expressão planetária, notadamente depois que ela passa a dirigir a ONU-MULHER.

Ninguém imaginaria que mulheres e poesia acrescentariam tanto respeito à condição feminina e à economia agrícola do Brasil.

Diogenes da Cunha LimaEscritor, Poeta e Presidente da Academia de Letras do RN

 

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