A retomada do programa nuclear brasileiro colocou estudiosos sobre o tema e o governo em lados opostos da mesa, durante debate organizado nesta semana pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados. Professores e ambientalistas defenderam que a energia nuclear não pode ser uma alternativa para suprir o aumento da demanda por energia e para reduzir emissões de gases de efeito estufa, substituindo fontes fósseis como o carvão mineral
“Não há razões para o Brasil investir em nucleares. O país tem recursos naturais diversos, é um país ensolarado, tem muita água e áreas agrícolas para produção de biomassa. Podemos usar isso para o desenvolvimento. A insistência em manter a energia nuclear tem surpreendido”, disse o físico Heitor Scalambrini, professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e representante da Articulação Antinuclear Brasileira.
Para o professor, o desastre nuclear que ocorreu no Japão há dois anos foi um aviso para o mundo. “Hoje, pesquisas mostram que, em média, 69% dos entrevistados no mundo rejeitam essa fonte de energia. No Brasil, mais de 75%”, disse Scalambrini. Segundo ele, todas as fontes de energia podem apresentar problemas e riscos, como o de incêndio em termoelétrica ou de ruptura em barragens. “No caso da nuclear, os riscos também existem, mas quando ocorrem são devastadores. O caminho é não instalar essas usinas”, defendeu.
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