GABRIEL E A ESPERANÇA VERDE-AMARELA – Alberto Rostand Lanverly

GABRIEL E A ESPERANÇA VERDE-AMARELA –

O campeonato mundial de futebol, recém-encerrado, deixou como maior lição a certeza de que a vitória costuma sorrir para aqueles que, além de possuírem técnica apurada, cultivam verdadeiro espírito de equipe, alimentado pela coragem, entrega e o chamado “sangue nos olhos” em cada disputa de bola. Que o diga “Vozinha”, goleiro de Cabo Verde.

Acompanhar jogos do Brasil no próprio estádio foi uma das experiências esportivas mais marcantes que já vivi. A torcida, bela e vibrante, reunia bandeiras de vários países, em permanente clima de confraternização, mesmo quando cada coração pulsava mais forte por sua própria seleção. Ver alguns dos maiores jogadores do planeta correndo atrás da bola, bem diante dos meus olhos, foi algo inesquecível.

A organização nos estádios, antes, durante e depois das partidas, também merece aplausos. Tudo parecia pensado para transformar o espetáculo em celebração coletiva, na qual o futebol, mais uma vez, demonstrou sua força de aproximar povos, culturas e emoções.

Infelizmente, nossa seleção parou no meio da jornada. Não por falta de qualidade de seus jogadores, mas talvez pela ausência de algo facilmente percebido em outras equipes: o desejo de vencer jogando futebol, e não apenas pela tradição da camisa verde e amarela. Sofri, vibrei, torci, gritei e, apesar da derrota para a Noruega, deixei o local com o coração dividido entre a frustração do torcedor e a gratidão por ter vivido aquele momento ao lado de familiares.

Foi então que a TV Connection, entrevistando torcedores na saída, abordou Gabriel, meu neto, e perguntou qual mensagem ele deixaria aos brasileiros. Do alto dos seus sete anos, olhando firme para a câmera, respondeu com segurança e simplicidade: “Não precisa ficar triste, porque o Brasil, daqui a quatro anos, vai ganhar a próxima Copa.”

Naquele instante, Gabriel talvez tenha traduzido o sentimento mais puro do verdadeiro torcedor: a capacidade de sofrer sem perder a esperança. E eu, como avô e brasileiro, também acredito que sim. Afinal, com fé, trabalho e união, tudo haverá de dar certo.

 

 

 

 

Alberto Rostand Lanverly – Presidente da Academia Alagoana de Letras

As opiniões contidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
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