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Família tenta extradição de lutador brasileiro condenado pela morte de filho nos EUA

Sanderson Dantas, de 34 anos, está preso na Califórnia, EUA, pela morte do filho de dois meses, em 2017 — Foto: Cedida pela família

A família de um lutador de jiu jitsu brasileiro, de 34 anos, condenado e preso pela Justiça dos Estados Unidos, tenta extraditá-lo para o Brasil. Sanderson Dantas, que é de Natal, mas estava morando na Califórnia, foi acusado pela morte do seu filho mais novo, Dax, que tinha apenas dois meses de idade. Ele está detido desde o ano passado e, apesar de já ter sido julgado, nega o crime.

O pedido da família foi entregue à Defensoria Pública da União (DPU) em Natal. De acordo com o chefe do órgão, o defensor Wagner Ramos, o caso foi enviado para o Itamaraty e repassado para o consulado brasileiro em Los Angeles, que deverá estudar a situação e pedir, ou não, a extradição. “Eles deverão tentar uma negociação. Nos Estados Unidos, cada estado tem uma legislação diferente, o que dificulta o processo”, afirmou.

Mãe de Sanderson, a fisioterapeuta Edna Dantas é quem encabeça o pedido. Ela considera que o decreto nº 9.199, de novembro deste ano, que regulamentou a Lei de Migração (nº 13.445, de maio deste ano), garante o direito à extradição de Sanderson, que foi condenado a prisão por 25 anos.

Como argumento, a família também usa o caso dos pilotos americanos Joseph Lepore e Jan Paul Paladino, que foram condenados ano passado no Brasil, após 11 anos, por um acidente aéreo que vitimou 154 pessoas no país, mas estão nos EUA.

Sanderson é o único filho de Edna. Ela afirma que atualmente precisa mandar dinheiro para o país, para pagar despesas como alimentação do homem, na prisão. Custos que deixaram a família endividada. O objetivo da família, segundo ela, é que Sanderson possa, pelo menos cumprir pena e recorrer da sentença inicial no Brasil.

“Nós não temos condições de ficar lá 25 anos, eu não tenho direito a morar lá 25 anos, eu não sei falar inglês, eu não tenho condições financeiras para ficar visitando ele. Aqui, pelo menos, eu vou ter direito de visitar meu filho. Vai ser triste ver ele nessa situação, eu vou sentir, mas se eu não posso ter aquilo que eu quero da vida, eu vou aproveitar aquilo de melhor que a vida me dá. No caso, agora, é poder ver meu filho”, afirma Edna.

Ao ser questionado sobre o caso, o Itamaraty não comentou o pedido de extradição, reafirmando que o consulado brasileiro presta assistência ao brasileiro.

“O Consulado Geral do Brasil em Los Angeles acompanha o caso do nacional brasileiro, mantêm contato com sua família, bem como com as autoridades locais e presta assistência jurídica ao cidadão”, declarou por meio de nota, informando que não pode “fornecer informações de cunho pessoal sobre o caso”.

Segundo a família, Sanderson está nos Estados Unidos desde 2015. Ele era professor de uma academia de jiu jitsu em São Paulo e viajou ao país para participar de uma competição. Lá, conheceu uma mulher com quem teve um relacionamento. Após voltar ao Brasil, o potiguar foi avisado que ela estava grávida, então deixou tudo e se mudou para a Califórnia, onde se casou. O casal teve dois filhos e o homem trabalhava como motorista de aplicativo de transporte de passageiros.

Porém, no dia 31 agosto de 2017 o filho mais novo de Sanderson, Dax Jordan Quintana Oliveira, que tinha dois meses de idade, morreu vítima de traumatismo de cabeça e pescoço, segundo a imprensa norte-americana.

A polícia foi chamada à casa da família por volta das 15h do dia 29, porque o menino não “respondia”, estava desarcodado. Sanderson foi preso no mesmo dia, suspeito de ter agitado violentamente a criança, provocando as lesões. Dax foi levado ao hospital.

O pai brasileiro foi liberado, mas voltou a ser denunciado e preso no dia 13 de setembro, com fiança estipulada em US$ 5 milhões – o que representa aproximadamente R$ 19 milhões. Ele foi levado a júri popular e condenado a 25 anos, apesar de alegar inocência. A própria esposa acusou o brasileiro.

O Departamento do Xerife do condado de Los Angeles informou que não poderia divulgar nenhuma informação sobre as circunstâncias da prisão ou qualquer outro detalhe porque o caso ainda estaria em andamento.

O brasileiro negou as acusações. A família de Sanderson não acredita na versão da polícia e diz que o lutador é inocente. Para Edna Dantas, o filho foi vítima de preconceito por sua cor e pela profissão de lutador. “Ele sempre foi um ótimo filho, obediente. Nunca deu trabalho e sempre foi focado”, conta a mãe. “Ele está sofrendo preconceito e perseguição da família da esposa”, argumenta.

Fonte: G1RN

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