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Explosão estelar rara é vista a bilhões de anos-luz da Terra

Ilustração artística da supernova SN 2021yfj, que perdeu suas camadas externas antes da explosão e expeliu materiais como silício (cinza), enxofre (amarelo) e argônio (roxo). — Foto: Keck Observatory/Adam Makarenko

Cientistas anunciaram nesta quarta-feira (20) a observação de uma das explosões mais raras e impressionantes já registradas no espaço (veja representação artística no vídeo ACIMA).

Batizado de SN 2021yfj, o evento ocorreu a 676 milhões de anos-luz da Terra e chamou a atenção por permitir que pesquisadores acompanhassem, de forma inédita, o interior de uma estrela gigante no momento de sua explosão, ou seja, uma supernova.

ENTENDA: Supernova é a explosão que acontece quando uma estrela muito grande, pelo menos oito vezes maior que o nosso Sol, chega ao fim de sua vida. É um dos eventos mais brilhantes do Universo, podendo ser visto a bilhões de quilômetros de distância.

Durante sua vida, uma estrela massiva funciona como uma fábrica de elementos químicos. O hidrogênio, o gás mais simples, vai sendo transformado em hélio.

Depois, surgem carbonooxigênio e outros elementos mais pesados. Isso gera uma estrutura em camadas, parecida com uma cebola: as mais externas são formadas por gases leves, enquanto no interior estão silício, enxofre e ferro.

“Quando uma estrela nasce, ela é essencialmente uma esfera de hidrogênio, o elemento mais abundante do Universo. A temperatura e a pressão no núcleo da estrela são tão altas que o hidrogênio se funde em hélio. Em seguida, o hélio se funde em carbono, e assim por diante, até que o ferro seja produzido”, explica ao g1 Steve Schulze, pesquisador da Northwestern University, em Evanston (EUA), e autor do estudo.

Assim, o que os cientistas nunca haviam conseguido observar diretamente era justamente uma dessas camadas profundas. Isso acontece porque a violência das explosões costuma misturar tudo, escondendo toda essa organização.

“Esse processo transforma a estrela em uma estrutura em camadas: hidrogênio na parte externa, seguido por hélio, depois camadas de carbono/oxigênio, magnésio/neônio/oxigênio, oxigênio/silício/enxofre e, por fim, ferro no centro. Assim, a camada rica em silício e enxofre fica enterrada sob muitos outros materiais e, portanto, é inacessível em circunstâncias normais, tornando quase impossível observá-la diretamente”, acrescenta o cientista.

Com a SN 2021yfj, porém, foi diferente. A estrela perdeu parte de suas camadas externas pouco antes da explosão, deixando exposta uma concha de silício enxofre.

Quando o restante da estrela explodiu, o material em expansão colidiu com essa camada, fazendo-a brilhar como um sinal luminoso que pôde ser captado por telescópios aqui na Terra.

Mistérios sobre o fim das estrelas

Segundo os autores da pesquisa, a observação confirma que a teoria estava certa: estrelas realmente têm essa estrutura em “cascas” até chegar ao núcleo. Mas o achado também trouxe novas perguntas.

A principal delas envolve a detecção de hélio no mesmo ambiente que o silício e o enxofre, elementos forjados em estágios muito avançados da vida de uma estrela.

Em teoria, o hélio deveria ser consumido em fases anteriores, quando serve de combustível para a produção de carbono e oxigênio. Por isso, não faria sentido encontrá-lo misturado a camadas tão profundas.

Outra questão é entender como a estrela conseguiu perder tanta massa em tão pouco tempo. Os cientistas estimam que algo equivalente a três sóis foi expelido em questão de anos ou décadas antes da explosão.

Esse “sinal inesperado” sugere duas possibilidades: ou houve algum tipo de mistura entre as camadas internas da estrela, ou então os modelos atuais de evolução estelar ainda precisam ser ajustados para explicar melhor o que acontece nos instantes finais da vida desses astros

“[Essa descoberta] confirma de forma direta que as estrelas realmente têm as camadas previstas até chegar ao silício e ao enxofre”, explicaram os astrofísicos Anya Nugent (da Harvard & Smithsonian Center for Astrophysics) e Peter Nugent (do Lawrence Berkeley National Laboratory) em análise publicada na Nature.

 

Eles ressaltam também que o achado “abre novos mistérios sobre como as estrelas massivas morrem”.

Fonte: G1

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