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Exército israelense pede que palestinos evacuem partes de Rafah, e Hamas diz que primeiros bombardeios já começaram

Palestinos procuram vítimas sob os escombros de uma casa destruída em um ataque israelense em Rafah, no sul da Faixa de Gaza, em 6 de maio de 2024. — Foto: REUTERS/Mohammed Salem

O Exército de Israel pediu nesta segunda-feira (6) que palestinos comecem a deixar Rafah, no extremo sul da Faixa de Gaza, onde pretende fazer uma incursão por terra. Também nesta segunda, o Hamas afirmou que tropas israelenses fizeram os primeiros bombardeios no leste da cidade, considerada o último refúgio de moradores do território palestino.

Por meio de um comunicado nas redes sociais, Israel pediu que os moradores deixem a região leste de Rafah com destino a Al-Mawasi, uma cidade vizinha, também na Faixa de Gaza, onde Israel disse ter criado uma zona humanitária com hospitais de campanha, tendas, alimentos e água.

O governo local, controlado pelo Hamas, afirmou que as tropas israelenses fizeram nesta segunda-feira os primeiros bombardeios à cidade, na parte leste. Israel não havia se manifestado até a última atualização desta reportagem.

 

Há semanas, as Forças Armadas de Israel vêm preparando a entrada em Rafah, onde Israel alega que o Hamas tem seu último reduto dentro da Faixa de Gaza. No entanto, a cidade, na fronteira com o Egito, é também considerada o último refúgio para palestinos que fugiram de suas cidades no norte, no centro e até no sul do país ao longo da guerra.

Atualmente, cerca de 1,5 milhão de palestinos, mais da metade da população total da Faixa de Gaza, estão na cidade.

A comunidade internacional vem pressionando fortemente Israel para que abandone a ideia de entrar em Rafah. Na semana passada, no entanto, o primeiro-ministro do país, Benjamin Netanyahu, reiterou sua intenção de fazer operações na cidade.

As Forças de Defesa de Israel alegaram que a evacuação que pediram nesta segunda tem “escopo limitado”. A ideia, segundo o Exército israelense, é que 100 mil pessoas localizadas no leste se desloquem.

Segundo o ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, a ação militar no local é necessária devido à recusa do Hamas em libertar reféns como parte das propostas para um cessar-fogo em Gaza.

O anúncio ocorre em meio a negociações de cessar-fogo. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse na última terça-feira (30) que o Exército de Israel entraria em Rafah “com ou sem acordo” na Faixa de Gaza.

Há semanas, Netanyahu anunciou que faria uma incursão por terra em Rafah, a cidade no extremo sul de Gaza para onde cerca de 1,5 milhão de palestinos — mais da metade da população do território palestino — fugiu desde o início da guerra.

Os Estados Unidos, a ONU e a comunidade internacional têm pressionado fortemente o governo israelense para que não leve a operação adiante — há o temor de um massacre, já que a população não tem para onde ir.

A cidade faz fronteira com o Egito, mas os palestinos são proibidos de cruzar o controle fronteiriço.

“A ideia de que a gente pare a guerra antes de alcançar todos os nosso objetivos está fora de questão. Nós entraremos em Rafah e eliminaremos os batalhões do Hamas que estão lá — com ou sem acordo, para alcançar uma vitória completa”, escreveu o premiê em suas redes sociais.

 

O premiê se referiu à tentativa de um novo acordo entre seu governo e o Hamas. Uma nova rodada de negociações começou na segunda-feira (29) no Cairo, no Egito, com a participação de delegações de Israel, do grupo terrorista, e dos países mediadores — Catar e Estados Unidos.

A proposta inclui um cessar-fogo em troca da devolução dos cerca de 130 reféns ainda sob poder do Hamas. No entanto, as duas partes ainda discordam sobre a pausa nos bombardeios: o Hamas quer um cessar-fogo permanente que leve ao fim gradual da guerra, enquanto Israel aceita apenas uma trégua temporária nos ataques.

Nesta terça, o comissário-geral da Agência da ONU para os Refugiados (UNRWA, na sigla em inglês), Philippe Lazzarini, disse achar que, caso não haja um acordo ainda nesta semana, a entrada em Rafah pode ocorrer nos próximos dias.

“As pessoas ainda não foram retiradas de Rafah, mas há uma sensação de que, se não houver acordo, isso pode acontecer em qualquer momento”, declarou Lazzarini.

Fonte: G1

Ponto de Vista

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