Nos últimos dias de julho cerca de 72 mil marroquinos entraram em Ceuta, território espanhol na África, via mar. Entre os imigrantes, além de mulheres e homens, também haviam menores de idade desacompanhados que, pela lei local, não podem ser deportadas. Nessa quarta-feira (19) o governo espanhol anunciou que vai acolher 500 desses migrantes.
Grande parte dos marroquinos que cruzaram a fronteira naquela quinta-feira (30/7) já voltou para o país africano. No entanto, estima-se que ainda haja 2.168 menores estrangeiros em Ceuta.
A lei espanhola é clara: menores estrangeiros desacompanhados não podem ser enviados de volta ao país de origem quando não há garantias para sua segurança e seu desenvolvimento.
Muitos dos menores marroquinos não veem perspectivas em seu país de origem, onde, embora a economia esteja crescendo, um em cada quatro jovens formados em universidades está desempregado e 25% dos jovens entre 15 e 24 anos não estudam nem trabalham, segundo o Conselho Econômico, Social e Ambiental do Marrocos.
Na semana passada, o ministro do Interior da Espanha, Fernando Grande-Marlaska, disse que quem entrasse ilegalmente em território espanhol seria deportado.
“Qualquer pessoa que entrar ilegalmente em Ceuta ou Melilla [outro exclave espanhol no norte da África] sabe que será deportada, pois Espanha e Marrocos trabalham em conjunto para esse fim. Não chegarão à península, nem ao continente europeu, e tampouco permanecerão indefinidamente em Ceuta ou Melilla”, disse Grande-Marlaska.
Como plano para acolher esses menores, o Ministério da Juventude, junto ao governo de Ceuta, está elaborando um plano no qual ONGs e agências de proteção à infância assumirão a responsabilidade pelas crianças mais vulneráveis, em particular as meninas, sem transferir sua guarda para os governos regionais da Espanha.
A notícia sobre o plano do governo surgiu poucas horas depois de a Comissão Europeia ter afirmado que, segundo a legislação da União Europeia, todos os migrantes deveriam ser devolvidos ao Marrocos.
No último sábado (15), a polícia marroquina prendeu pelo menos 111 pessoas quando tentavam entrar em Ceuta, mesmo com o reforço da segurança em ambos os lados da fronteira, após publicações nas redes sociais convocarem para outra travessia massiva de migrantes.
Segundo a Reuters, entre os detidos estavam 109 migrantes da África Subsaariana e dois cidadãos marroquinos presos em Fnideq ou nos arredores da cidade marroquina, situada em frente a Ceuta.
De acordo com a agência de notícias espanhola EFE, a polícia marroquina usou gás lacrimogêneo para dispersar grupos de migrantes reunidos em colinas a cerca de 3 km da fronteira.
Para além das novas tentativas de cruzar a fronteira, mulheres que estão no exclave espanhol vêm sofrendo ameaças e assédio sexual enquanto dormem ao ar livre à espera de atendimento das autoridades.
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