ENTRE O ROCK E A SANFONA: A MÚSICA DE UMA GERAÇÃO – Raimundo Mendes Alves

ENTRE O ROCK E A SANFONA: A MÚSICA DE UMA GERAÇÃO –

Nasci em mil novecentos e cinquenta e seis, em uma época em que o rádio era o elo da família, das noites serenas e das conversas nas calçadas. Essa geração foi caracterizada por uma diversidade sonora, unida por uma única essência: a emoção humana.

Enquanto o mundo se animava com o surgimento do rock and roll, no Nordeste, a sanfona já tocava no íntimo do povo através do forró pé de serra. De um lado, as guitarras proclamavam libertação, juventude e uma revolução cultural. Do outro, a zabumba, o triângulo e a sanfona narravam a vida do sertanejo, a seca, o amor, a saudade e a esperança.

Com o decorrer do tempo, percebi que tanto o rock quanto o forró tinham suas raízes no povo comum. O rock se originou do blues afro-americano, expressando as dores e alegrias transformadas em melodias. O forró surgiu da terra quente do Nordeste, das celebrações populares, dos mercados e das casas de barro iluminadas pela felicidade de viver, mesmo frente às dificuldades.

Cada época trazia seu próprio encanto. Havia mais interação, mais diálogos e uma simplicidade encantadora. As pessoas apreciavam a música para sentir, refletir e vivenciar o presente. Nos dias de hoje, o mundo é veloz, dinâmico e tecnológico. Tudo acontece com uma rapidez excessiva. No entanto, certos elementos permanecem inalterados: a emoção da música, a lembrança da juventude e a nostalgia pelos tempos em que a vida parecia fluir mais lentamente.

Talvez por isso, algumas canções nunca perdem seu brilho. Elas trazem à tona memórias, emoções e fragmentos da nossa própria narrativa. Ao escutar um antigo rock ou um forró pé de serra, não ouço somente melodias… ouço a passagem do tempo, a família, os amigos, os sonhos e as recordações de toda uma geração.

O passado não retorna, mas permanece vivo em nós através das marcas que deixaram em nossa trajetória. E talvez a verdadeira beleza da vida resida exatamente nisso: entender que o tempo avança, o mundo se transforma, mas as emoções genuínas permanecem imortais.

 

 

 

 

Raimundo Mendes Alves – Advogado, Procurador aposentado

As opiniões contidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
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