ENSINO FUNDAMENTAL E ESTADOS DA MATÉRIA –
Antigamente era o Pré-primário, com um ano de duração; o Primário com cinco anos, ao final fazíamos o Exame de Admissão para o Curso Ginasial, este com quatro anos. Havia aqueles que já no quarto ano fazia o Exame de Admissão, pulando um ano. Depois tinha o Curso Científico, com três anos. Havia, no Colégio Diocesano Santa Luzia em Mossoró, a opção do Clássico para quem queria cursar a área de Letras/Humanas.
Hoje o Ensino Fundamental é uma das etapas da Educação Básica no Brasil. Tem duração de nove anos, sendo a matrícula obrigatória para todas as crianças com idade entre seis e quatorze anos. A obrigatoriedade da matrícula nessa faixa etária implica a responsabilidade conjunta: dos pais ou responsáveis, pela matrícula dos filhos; do Estado pela garantia de vagas nas escolas públicas; da sociedade, por fazer valer a própria obrigatoriedade. Regulamentado por meio da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, em 1996, sua origem remonta ao Ensino de Primeiro Grau, que promoveu a fusão dos antigos curso primário (com quatro a cinco anos de duração), e do curso ginasial, com quatro anos de duração, este último considerado, até 1971, Ensino Secundário.
No Brasil não existe um currículo padronizado para o ensino fundamental, mas a LDB de 1996 define que é obrigatório, no Ensino Fundamental, o ensino de Língua Portuguesa, Matemática, conhecimentos do mundo físico e natural, bem como da realidade social e política (especialmente a brasileira), Artes, Educação Física e Música (que pode ser trabalhada dentro das Artes).
A discussão do momento é dar – ou não – ao aluno o direito de escolher as matérias que deverá cursar. Existem as obrigatórias, as demais o aluno deverá optar por aquelas disciplinas que estão relacionadas com a profissão que deseja seguir.
Lembro-me que em meados da década de setenta, dois dos meus irmãos mais novos foram fazer intercâmbio nos Estados Unidos. Rafael Filho e Fernando, já naquela época, escolhiam as disciplinas que desejavam cursar na High School, equivalente ao nosso curso Científico.
Peba Gasoso
Corria o ano de 1963, tinha doze anos de idade, e cursava o segundo ano Ginasial. O Colégio Diocesano Santa Luzia, em Mossoró, era dirigido por padre Sátiro Dantas, o vice-diretor era padre Alcir da Silveira e a secretária geral, dona Mundinha. A dificuldade de contratar professores de carreira era grande e essa deficiência era saneada com a competência da direção. Dessa forma o professor de Ciências era um dentista, o doutor José Nogueira. Ele gostava de fazer prova oral. Sorteava um aluno, que ficava em pé ao lado da mesa para que o professor o interrogasse. O sorteado foi Carlos Alberto, cujo apelido era Carlos Peba, que não estudava absolutamente nada. O professor indagou: – Quais são os estados da matéria? A resposta curta e esperada: – Sei não! O professor: – Dei essa aula ontem… estado sólido, líquido e gasoso… a água por exemplo pode estar nos três estados: no sólido mantém a sua própria forma e volume; no líquido toma a forma do corpo que a contém e no gasoso varia amplamente de forma e volume… dê-me um exemplo de cada um! – Sei não! O professor bateu forte na mesa, com a mão fechada e perguntou: – Em qual estado da matéria esta mesa se encontra?
– Gasoso!
Daí, até o fim da vida, virou Peba Gasoso! Não chegava a ser bullying, pois além de Peba não ligar, era muito merecido. Bullying é um termo da língua inglesa (bully = “valentão”) que se refere a todas as formas de atitudes agressivas, verbais ou físicas, intencionais e repetitivas, que ocorrem sem motivação evidente e são exercidas por um ou mais indivíduos, causando dor e angústia, com o objetivo de intimidar ou agredir outra pessoa sem ter a possibilidade ou capacidade de se defender, sendo realizadas dentro de uma relação desigual de forças ou poder. Estava pensando, será que o verbo bulir (que no sentido figurado significa bulir com, implicar com, caçoar de, mexer com: vive bulindo com os colegas) vem de bullying?
O vidro é líquido!
No cursinho pré-vestibular no Rio de Janeiro, no Colégio Santo Antonio Maria Zaccaria, surpreendi-me com a afirmação do professor Loureiro, de física, de que o vidro era líquido. Esta semana Paulo Negreiros, meu irmão e colega de cursinho, mandou-me um WhatsApp, onde o professor Walter Longo afirma:
– A estrutura molecular do vidro é uma estrutura líquida, mas de uma viscosidade infinita; foi desenvolvido recentemente na Alemanha o vidro líquido de fato, na forma de spray, chegando ao Brasil pela DPM Tecnologia, o EcoGlas; você passa numa superfície, ela se torna envidraçada, portanto impermeável, com uma resistência absoluta… embora seja impenetrável continua respirando e com várias outras qualidades, sendo, inclusive, bactericida… é uma película quinhentas vezes mais fina do que um fio de cabelo (100 nanômetros), mas completamente impermeável, impenetrável em termos de sujidade… evita pichação, pois fica facílimo de limpar; na área da medicina, onde o vidro líquido é passado as bactérias não se reproduzem; hoje em dia é aplicado em transportes públicos, mas poderá ser aplicado no nosso I-phone, na nossa camiseta… é uma forma de evitar sujeira!
O mais impressionante é que o produto não deverá ficar caro, pois o vidro é feito de dióxido de silício, cuja matéria prima é a areia!!! É impenetrável por água e sujeira, entretanto continua respirável. O Professor Loureiro, há 50 anos, no cursinho RH já sabia que o vidro era líquido, porém com uma viscosidade infinita! Desculpe, professor, por não ter acreditado.
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