Carlos Alberto Josuá Costa

O sorriso foi franco ao avistar o pórtico de entrada: GRAMADO.

A voz feminina do GPS não manifestou nenhuma alegria e continuou orientando: “ande trezentos metros, dobre à direita na rotatória…”.

Assim fomos percorrendo avenidas e ruas que margeavam praças ornamentadas e iluminadas com as cores natalinas.

Tudo muito belo e majestosamente organizado: flores, arranjos, luzes, árvores, e muitos, muitos Papais Noéis.

Êpa! Atravessamos a cidade toda e nada de chegar ao destino final para estirar as pernas e desamassar a roupa viajada.

“Ande novecentos metros, ande, ande, ande…” e nada de vislumbrar a estalagem neste encantado mundo fantasioso que abrigava uma miscelânea de crianças, jovens, adultos e idosos ávidos em reviver a magia do Natal.

O tapete asfaltado margeado por pinheiros, parreirais, araucárias e as típicas hortênsias, nos davam a certeza que o caminho tinha sido preparado “especialmente” para nos acolher.

Enfim, o chalé no alto da serra, em Linha Nova, cerca de dez quilômetros além do “rebuliço” do centro da cidade.

O silêncio de encantar monges, dáva-nos a oportunidade de experimentar uma paz espiritual capaz de equilibrar a energia corporal e mental, onde apenas os sons da natureza se agigantavam em ternura.

Era tempo de “prestar atenção”.

Durante o dia, ‘pernas pra que te quero’. Durante a noite, luzes e alegrias para sorrir. E depois de tudo, o recolhimento entre as brumas e embalado pelo amor do Pai.

Sempre que desfruto de algo bom, naturalmente compartilho, em pensamento e desejo, com aqueles que me são gratos. Fico vibrando e, mentalmente vou associando o quanto seria benéfico se você, e você também, estivessem ali vivendo aquele momento. Aí já sabe. Emociono-me e sem medo de ser feliz, a pupila dilata e marejo o olhar.

Foi assim com o espetáculo especial, KORVATUNTURI, um show mágico e sensorial sobre a história cativante dos verdadeiros valores da vida. Um reencontro da humanidade com os sentimentos de amizade, alegria, solidariedade e amor.

Cada ato, gesto, palavra ou pensamento dos seres humanos tem um efeito positivo ou negativo, que se não compreendido, desencadeia interpretações errôneas que podem levar ao desentendimento e ao desamor.

Impossível não se comover e se emocionar. O show me levou das lágrimas ao riso como um passe de mágica.

Ah! Como desejei abraçar cada um de vocês, olhar nos seus olhos e dizer: obrigado por tudo! Como desejei sair conduzindo a charrete do bom velhinho e chamar todos os abandonados – venham, venham todos! Como desejei cortar as correntes dos sufocados pelos problemas, libertando-os. Como desejei arrancar dos ‘leitos’, as crianças, os idosos, os aflitos, os desfavorecidos, para ocupar cada espaço na plateia e junto com eles, sorrir e reanimar o espírito na esperança de um mundo melhor.

“Era uma vez…
… um povo antigo e sábio que vivia num mundo encantado chamado Korvatunturi, uma terra longínqua com uma grande montanha mágica que escuta os pensamentos de todos os seres e onde a aurora boreal brilha todas as noites. Este povo vivia da bondade, encontravam nas coisas mais simples da vida o amor e a felicidade e sabia que todos os seres vivos estavam conectados por uma grande árvore, a árvore da vida. Mas a grande árvore estava enfraquecendo, perdendo a sua luz. Seu povo estava aflito, aguardando a chegada do mensageiro que vinha com notícias da Terra dos Humanos, que passava por grandes conflitos”.

Ao ator e palhaço rio-grandino Jéber Costa, representando os demais, a bênção de Deus, por nos proporcionar tão belo exemplo de interpretação teatral circense. Ao seu idealizador, a certeza de que anjos rondam em campo fértil com mensagens de amor.

Kovartunturi sintetiza: esperança, renovação, começar de novo, acreditar na vida e nas pessoas, confiança no saber e no fazer, coragem para errar, para acertar, fazer a diferença, mudança, envolvimento, suor, fazer o bem, fazer bem feito, esperança na vida e no ser humano, família, amigos de verdade.

Saí levitando e impregnado por fragmentos da trilha sonora que dizia: “Tenha bondade no olhar / Pode acreditar, você vai fazer feliz o mundo inteiro / Nunca deixe de perdoar / Sim, o perdão sempre vai nos renovar”.

Um vinho, um sorriso, um amor, belas companhias e luzes e mais luzes iluminaram a janela do restaurante Malbec, em comemoração a tão belo momento – a origem do Natal.

O amor está nas coisas mais simples, pode acreditar.

Seja bondoso e você transformará o mundo.

Enchi o coração de alegria.

Carlos Alberto Josuá Costa – Escritor, Engenheiro Civil e Consultor (josuacosta@uol.com.br)

Ponto de Vista

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