AS EMPRESAS E A TRANSIÇÃO MORAL DO BRASIL – Jean Valério

AS EMPRESAS E A TRANSIÇÃO MORAL DO BRASIL –

Com tudo isso que está acontecendo no Brasil, você deve estar se perguntando:

Onde vamos parar? Quantos empregos ainda serão perdidos? Quantas empresas atingidas? Quantas marcas importantes serão abatidas do mercado? Ainda que pelas suas próprias atitudes.

Nós, agora, vamos tentando nos acostumar a conviver com termos antes desconhecidos, como colaboração premiada, acordos de leniência e compliance.

No atual cenário estes termos estão sempre associados às grandes companhias, líderes de faturamento em seus segmentos e na preferência dos consumidores.

São empresas como a Odebretch, maior construtora do Brasil e uma das maiores do mundo, a JBS, maior processadora de carne do mundo e maior do Brasil em faturamento. Em 2016, a JBS, dona das marcas Friboi e Seara, faturou R$ 170 bilhões.

De orgulho empresarial, estas companhias passaram a ser vergonha nacional. Agora lutam para não morrer. Agonizam para manter suas operações em andamento.

A JBS negocia um acordo de leniência. Quer pagar 4 bilhões de reais pelos crimes cometidos e confessados. Mas o MPF só aceita 11 bilhões.

Leniência é o nome usado para o acordo firmado entre a empresa que cometeu ato ilícito contra a administração pública, mas que se dispõe a auxiliar nas investigações que levem a captura de outros envolvidos no crime, em troca de benefícios para pena.

Enquanto o martelo da negociação não é batido, a valorização da JBS segue despencando. As ações já chegaram a cair, num dia apenas, mais de 20%.

Muitos de vocês devem se perguntar: Mas o que eu tenho a ver com isso?

Tem tudo a ver.

Pois esse debate afetará o preço e a qualidade final da carne nas prateleiras.

Toda esta discussão nacional chama atenção para um tema muito importante, na esfera pública ou privada: O respeito às leis e a intolerância à corrupção.

E a maioria das empresas comprometidas começam a adotar políticas de compliance.

Mas o que é compliance?

Significa agir de acordo com uma regra, uma instrução! Estar em “compliance” é estar em conformidade com leis e regulamentos externos e internos.

O Brasil passa por um momento difícil. Que deve marcar uma transição moral!

As empresas privadas terão participação decisiva nessa mudança de mentalidade.

Uma empresa, ao optar por seguir o caminho da integridade, compromete-se perante seus funcionários e a sociedade, a engajar-se exclusivamente em negócios limpos.

Uma vez iniciado o Programa de compliance, não há mais volta.

Programas de compliance impulsionam as empresas a assumirem assim, um papel central na mudança da cultura do país.

É isso que devemos esperar!

 

Jean ValérioJornalista

As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores
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