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Empresário inglês Anthony Armstrong é condenado a 58 anos de prisão por lavagem de dinheiro no RN

A 14ª Vara Federal do Rio Grande do Norte condenou o empresário inglês Anthony Armstrong Emery, que também foi presidente do Alecrim Futebol Clube, a 58 anos de prisão por um esquema de lavagem de dinheiro promovido no estado.

De acordo com a decisão da Justiça, pelo menos R$ 75 milhões, de quase 2 mil investidores estrangeiros, foram desviados entre 2012 e 2014 – mesmo período em que ele comandou o clube.

Além dele, outros três envolvidos no esquema foram condenados. A sentença foi em primeira instância e os condenados poderão recorrer em liberdade. A ação foi movida pelo Ministério Público Federal (MPF).

A denúncia do MPF foi fruto da Operação Godfather, deflagrada em 2014. A nomenclatura em inglês, referência ao “Poderoso Chefão”, foi dada porque o inglês era apelidado dessa forma no estado, principalmente no meio do futebol.

Anthony Armstrong já havia sido foi condenado em março de 2019 no Reino Unido pela Suprema Corte Britânica e preso pela Interpol em 2020 nos Emirados Árabes. Ele foi liberado um dia depois, após o pagamento de fiança

Os crimes

A pena imputada a Armstrong inclui condenações por lavagem de capitais e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. Também foi enquadrada nesses crimes a então enteada de Armstrong e principal sócia do empresário, cuja pena ficou em 44 anos.

Junto com Armstrong, a enteada chegou a ter prisão preventiva decretada pela Justiça em 2020, mas conseguiu um habeas corpus.

Os outros dois condenados foram os contadores, que tiveram a pena firmada em três anos de prisão por falsidade ideológica. No caso dos dois, as penas foram substituídas por prestação de serviços à comunidade e doação de cestas básicas.

Os quatro condenados terão de pagar multas. Já outras quatro pessoas denunciadas originalmente pelo MPF foram excluídas do processo após firmarem acordos.

Como funcionava o golpe

Segundo a denúncia do MPF, através do chamado “Grupo Ecohouse”, o empresário prometia aos investidores – a maioria do Reino Unido e Singapura – ganhos de 20% ao ano. A rentabilidade viria da construção e venda de moradias populares dentro do programa “Minha Casa, Minha Vida”, no Rio Grande do Norte.

No entanto, as obras não eram concluídas ou sequer foram iniciadas, já que o grupo sequer possuía convênio com o programa federal. O dinheiro dos investidores nunca foi devolvido.

O dinheiro era captado através da Ecohouse Brasil Construções (uma das empresas do grupo e que atuava ilegalmente como instituição financeira) e desviado para gastos pessoais de Armstrong e da enteada, além de investimentos em outras empresas do grupo, no clube de futebol e até mesmo em uma competição que reuniu 16 times brasileiros em 2013, a Copa Ecohouse.

Mais de R$ 75 milhões de prejuízo

Segundo o Ministério Público Federal, o esquema prejudicou até 1,5 mil investidores de Singapura e aproximadamente 350 do Reino Unido. Nesse período de dois anos e meio, passou pelas contas do Grupo Ecohouse R$ 75 milhões.

Mas, para o MPF, há possibilidade desse prejuízo ser ainda maior. A denúncia cita que uma advogada que representa 400 clientes de Singapura calculou em R$ 64 milhões as perdas de seus representados.

O prejuizo estimado pela Suprema Corte Britânica no Reino Unido, onde Anthony Armstrong foi condenado, foi de aproximadamente R$ 130 milhões em relação aos 350 investidores locais.

Naquele país, cada interessado investia 23 mil libras esterlinas (uma libra vale atualmente cerca de R$ 6,20), enquanto em Singapura cada cota era vendida por 46 mil dólares de Singapura (cada um está em aproximadamente R$ 3,90).

Publicidade

A denúncia do MPF pontua ainda que toda a publicidade feita em torno do empresário visava a divulgação da imagem de Armstrong como um “grande e sólido empreendedor e somava-se ao arsenal de mentiras contadas aos investidores”.

Segundo o MPF, algumas poucas obras chegaram a ser tocadas para servir de chamariz e, quando interessados visitavam, um “rodízio de operários” era promovido para dar a impressão de que estavam a pleno vapor. “Ao mesmo tempo, contadores, incluindo os dois condenados, assinavam documentos ideologicamente falsos atestando que as construções estariam transcorrendo de acordo com o cronograma”, disse o MPF.

Fonte: G1RN

Ponto de Vista

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