Ana Luíza Rabelo

Estou de luto fechado. Triste. Inconsolável. O amor morreu. O amor sincero, desinteressado e eterno não existe mais. E não estou falando apenas do sentimento que une homens mulheres, mas do sentimento que une pessoas. Amizades não duram mais que o tempo que passamos na escola ou no trabalho. Começamos um casamento pensando: “se não der certo… separa.” E assim matamos o amor.

O maior companheiro das nossas vidas é a TV ou o PC, não existe alguém próximo. A família já está separada, desunida e desconhecida. Os parceiros, tão descartáveis quanto copos de plástico, não permanecem junto de nós tempo suficiente para que o conheçamos ou sequer para sentirmos sua falta.

Revendo fotos antigas, não conseguimos lembrar-nos dos nomes de metade das pessoas que posaram conosco. Por quê? O que tem acontecido com os relacionamentos atuais?

Os sites de relacionamentos substituíram os encontros. A desconfiança e o medo tomaram o lugar da alegria de compartilhar. Os maiores passos em termos de comungar fatos, na atual era tecnológica, chamam-se Twitter e Instagram. Lá, desconhecidos que nem sempre dão o real valor de nossas vitórias tomam nota de tudo, movidos, talvez, pela curiosidade ou pela solidão.

Solidão é a bola da vez, é sentimento mais comum, mais universal. E nós, lamentavelmente, não tomamos qualquer atitude para mudar a situação. Muito pelo contrário, nos trancamos mais em nós mesmos, compartilhando segredos com desconhecidos, sem o desejo real de transformá-los em amigos. Ademais, tratamos nossos amigos de fato da mesma forma com que tratamos os virtuais, mandamos e-mails e marcamos reuniões em “chats”, evitamos encontrá-los, com medo de encontrarmos a nós mesmos durante esse processo.

Solidariedade é outra palavra que perdeu parte de seu significado original. Ajudar o próximo não significa mais dar de você, do seu tempo e entendimento. Ajudar o próximo é fazer uma transferência bancária ou uma doação por telefone. Quando, na maior parte dos casos, dinheiro é o que menos se precisa, e a principal carência é a afetiva, são alguns minutos de conversa, um abraço apertado, uma mão amiga.

Depois de tantos anos se reinventando, a raça humana precisa retroceder cinco minutos. Precisa lembrar de lições passadas, de repartir o pão, de apertar as mãos. A nossa evolução não terá valor se evitarmos usá-la para espalhar o amor. A nossa evolução não servirá de nada se, antes, não servir a nós mesmos.

Ana Luíza Rabelo, advogada e escritora (rabelospencer@ymail.com)

Ponto de Vista

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