E VOLTA, O AMARELO DO IPÊ, A COR DOURADA DO BRASIL – Luiz Serra

E VOLTA, O AMARELO DO IPÊ, A COR DOURADA DO BRASIL –

De início, surgem os ipês-amarelos, logo aparecerão os lilases, ou ipês-roxo, e, por fim, os brancos, fechando a estação. O céu azul ganha nova vida, enquanto a situação pandêmica de poucas cores diminui a sobriedade, a natureza refaz os tons da esperança! E condiz com resistência, força, já que a árvore, ipê, tem parentesco com o jacarandá. Daí ter na origem tupi a significação do ipê como “árvore cascuda”, por ser de casca grossa, resistente.

Este exemplar da primeira foto desabriu marcando presença de um dia para o outro, aqui, bem ao lado do nosso prédio em Brasília. Não há quem passe, deixe de contemplar e empunhar o celular no modo fotográfico para registrar esse prodígio natural.

Os ipês-amarelos noutras paragens, ainda com mais importância, são chamados de ipês-dourados; no Nordeste é a floração do pau-d’arco, no sul é o ipê-pardo, ipê-vacariano, já no precioso chão sertanejo pode ser ipê-ouro, ipê-mandioca, ipezeiro ou pau-d’arco-ouro, sumo reconhecimento nesta cambiante solar que se define em arte, sendo o artista, o ipê.

No entanto a variante que vejo mais poética, marcante de uma estação longínqua no tempo das monoculturas, davam o nome de ipê-amarelo-flor-de-algodão! provavelmente pela coincidência do brotar a florada com a safra algodoeira. A botânica científica traz o registro científico, epitalâmico, ou relativo ao sol, de Handroanthus serratifolius.

O ipê-amarelo chamou a atenção não só de cantores, poetas, escritores, até políticos. Tivemos um polêmico presidente, que foi professor de Gramática, o mato-grossense Jânio da Silva Quadros, que durante sua curta e contundente gestão declarou ser o ipê amarelo, a flor símbolo do Brasil.

Esta breve gesta a seguir é do amigo Dr. Geraldo Pereira, poeta, jurista, desembargador, da boa terra capixaba:

“Como é sublime e encantador
Contemplar o tapete amarelado
E esplendoroso, de um ipê em flor! ”

No meio da mata, o ipê-amarelo chega a trinta metros de altura, e tece o contraste com o verde e a sépia do sertão, cambiante de beleza, o horizonte se torna a paisagem, adiante, iluminada, e com cheirinho de coisa boa!

Pena que a florada é de alguns poucos dias, e a nossa memória idem, daí ser muito válido o registro fotográfico.

 

 

Luis Serra – Professor e escritor
As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores
Ponto de Vista

Recent Posts

COTAÇÕES DO DIA

  DÓLAR COMERCIAL: R$ 5,3430 DÓLAR TURISMO: R$ 5,5550 EURO: R$ 5,9530 LIBRA: R$ 6,1140…

10 horas ago

Picanha, festa, tensão e silêncio: empresário filma bastidores de Flávio e aliados na apuração

O empresário Paul Malicki, CEO da Fly Flapper, postou em suas redes os bastidores do…

11 horas ago

Polícia ouve testemunhas e identifica mulher filmada fazendo saudação nazista após votar no Rio

A Polícia Civil já ouviu testemunhas e identificou a mulher filmada fazendo uma saudação nazista…

11 horas ago

Engenheiro morre após ser agredido e roubado por grupo depois de ato pró-Lula no litoral de SP

O engenheiro ambiental e mestrando Marcelo de Oliveira Rocha, de 30 anos, morreu após ser…

11 horas ago

Polícia ouve testemunhas e identifica mulher filmada fazendo saudação nazista após votar no Rio

A Polícia Civil ouviu, na tarde dessa segunda-feira (26), os três jovens suspeitos de fazer…

11 horas ago

Sem apresentar provas, Trump diz que eleição no Brasil ‘pareceu fraudada’ e afirma que ‘gosta do Lula’

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nessa segunda-feira (26) que a eleição no…

11 horas ago

This website uses cookies.