E O VENTO LEVOU… –

​Encontro com o amigo Giba casualmente e mesmo com a pandemia não houve jeito; foi aquele abraço. Giba meu amigo de infância na Rua Mossoró, do tempo em que os vaga-lumes iluminavam as ruas de Tirol e Petrópolis, das lavadeiras do Riacho do Baldo, dos vendedores de frutas e verduras, dos garrafeiros, dos amoladores de faca, dos vendedores de cuscuz e tapioca molhada no coco, dos vendedores de jornais, das quermesses nas ruas ou nos pátios dos colégios, não teve outro assunto: juventude. Como bons americanos que somos, fomos tomar umas cervejas no Temis Clube e o papo rolou sobre o passado.

​Lembramos primeiro os amigos de infância da rua: Os irmãos João e José Élber, Antenor, Pancrácio e Getúlio Madruga, o galego Lúcio, os irmãos Jessione, Jairo e Jerian, Jomar Monteiro, João e Antônio Ferreira, Sergio e André Coelho, Duda e Luciano França, Xuxa Elói, Silvio e Claudio Procópio, Paulo Furtado, Fernando e Paulo Farias, Ideval Junior, Gotardo Emerenciano, Joca e Eduardo Barbosa, e outros. Lamentamos a morte de alguns.

​Lembramos das praias que frequentávamos: Redinha nas férias, praias de Miami, Areia Preta, Dos Artistas e do Forte, estas eram as mais frequentadas. Lembramos dos Colégios 7 de Setembro e Atheneu onde estudamos, dos professores de educação física Roque e Tião, do Ginásio Sylvio Pedrosa, de Odeman Miranda administrador do Ginásio e depois dono da Confeitaria Atheneu onde nos reuníamos todos os sábados, dos professores Evaldo, José do Patrocínio, Vicente de Almeida, Protásio Melo, Olindina Gomes e outros.

​Falamos do esporte amador que lotava o Ginásio nos dias de jogos de futebol de salão, vôlei e basquete, depois construíram o Palácio dos Esportes Djalma Maranhão, esvaziando aquele local, e poucos anos depois acabaram com o esporte amador em nossa Capital.

​Falamos das nossas caminhadas para as praias, das noitadas praianas, onde a orla era cheia. Mas, pelo menos para a gente acabou-se, parece que veio uma forte ventania e levou o nosso passado.

​Meu amigo em algum momento ficou triste, olhou um pouco para cima (já estava escuro) e disse: nem as estrelas vemos mais! Ficamos em silêncio e lembre-me de uma frase que meu pai dizia muito, quando alguém perdia alguma coisa de valor e ficava triste – O tempo é o senhor da razão, mas calei-me quando senti que para nós velhos o tempo é implacável e nos traz tristeza.

​No silêncio resolvemos parar e fomos cada um para as suas casas, alegres pelo reencontro, mas pensativos sobre o passado e o futuro.

 

 

 

 

 

 

 

Guga Coelho Leal – Engenheiro e escritor, membro do IHGRN

As opiniões emitidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
Ponto de Vista

Recent Posts

COTAÇÕES DO DIA

  DÓLAR COMERCIAL: R$ 5,0360 DÓLAR TURISMO: R$ 5,2350 EURO: R$ 5,6410 LIBRA: R$ 6,7450…

21 horas ago

Google vai pagar a quem usar menos energia elétrica para aproveitar as sobras em seus data centers

O Google anunciou nessa quarta (22) que vai pagar a moradores e empresas nos Estados…

22 horas ago

PONTO DE VISTA ESPORTE – Leila de Melo

  1- O Flamengo foi eliminado da Libertadores pelo Estudiantes, nessa quinta-feira (22), na disputa…

22 horas ago

Eleições em Israel fazem milhares de israelenses voltarem ao país apenas para votar

Numa disputa eleitoral tão polarizada, cada voto conta e pode ser decisivo para definir o…

22 horas ago

Disque-Eleições: veja como tirar dúvidas sobre o 2º turno das eleições com o TRE-RN

O Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RN) disponibilizou, mais uma vez, o Disque-Eleições, uma plataforma que tira…

22 horas ago

Ônibus de Natal serão gratuitos no 2º turno; veja como consultar horários

O transporte público de Natal será gratuito neste domingo (25), dia do segundo turno das…

22 horas ago

This website uses cookies.