É FÁCIL APRENDER FALAR OUTRA LÍNGUA? – José Delfino

É FÁCIL APRENDER FALAR OUTRA LÍNGUA? –
Estudar idiomas é um hobby que pratico todo santo dia. Comecei com o aprendizado do inglês, ainda rapazinho. No SCBEU, com o professor Protasio Melo. Fiquei por lá uns seis anos. Fiz o curso formal. Mais um outro sobre literatura inglesa. Uma convivência tão longa que, de professor, ele virou um amigo querido pro resto da vida. O método primava pela ortodoxia. Árduo, árido, e numa certa medida, enganoso. Na base de duas aulas semanais com duração de uma hora. Nelas nos ensinavam muita gramática, detalhes de conjugação de verbos irregulares, expressões idiomáticas…; mas na hora do “pega pra capar”, o cérebro sempre trabalhando simultaneamente a versão em inglês do que chegava à nossa cabeça em português. Alinhavávamos conversas ligeiras nas salas de aula e nos corredores da escola. E morriam lá, as nossas tentativas de dominar o idioma. A situação na Aliança Francesa foi idêntica. Afinal, era, e ainda é, impossível falar algo que não seja o português nas ruas de Natal. Tanto é verdade que ao concorrer a uma vaga para fazer uma pós graduação “latu sensu “ no Reino Unido; após ser aprovado nas entrevistas de seleção na UFRN (em português), e nas avaliações do TOEFEL e do British Council, achei que estava com a bola toda. O primeiro choque quando lá cheguei, ao ligar a TV, foi constatar que a minha compreensão era mínima. Fazer compras era fácil ; só associar o nome em inglês à imagem do produto desejado. Na sala de aula, até que dava pro gasto. Os caras falavam lento, bem compreensíveis num inglês de boa casta e qualidade. E nas suas conversas por fora conosco, minimalistas. Resumo da ópera. Foi muito difícil no início. Redigia pouco a pouco a tese pensando em português; vertia pro inglês e ia discutir com o orientador. A regra era voltar com o texto excluído em dois terços, sempre com aquela sugestão educada dele. De tentar reescrever mais uma vez, sob a alegação de que tinha gostado, mas o estilo muito “floreado”, muito “latino”. Mas consegui: o título acadêmico; e falar razoavelmente o idioma. A sequela, inevitável, foi eu nunca ter entendido bem o papo que o limpador das lareiras da minha casa tentava entabular comigo.
O espanhol me chegou “à força”. Por pura obrigação e necessidade. Quando comecei o meu curso de Medicina aos 18 anos a maioria dos tratados só era disponível em língua espanhola. A gente lia e vertia ao mesmo tempo para o português. Coisa fácil de fazer devido a proximidade de ambos os idiomas. Mas restou uma cicatriz que que não é qualquer “plástica” que remove: o fato de escorregar muitas vezes pro “portunhol”, quando falo. A atividade intelectual intentada desta forma não implica, nem gera, bom conhecimento ou, como diria, uma “reflexão” linguística honesta. Ficou a impressão que o buraco deveria ser mais embaixo. E é. Foi quando, anos antes da pandemia , descobri um linguista norte americano, Stephen Krashen, considerado papa no assunto. Ao lê-lo comecei a ver um pouco a luz no fim do túnel. Diz ele que para se aprender qualquer idioma é necessário uma imersão básica, guardadas as respectivas proporções, como fazem as crianças e os analfabetos. Atentar para o som das palavras. E a formatação das frases como é falada em cada idioma. Para os adultos, nada de formular frases baseadas na forma utilizada em sua própria língua. Segundo o professor Krashen não é difícil, como se poderia imaginar. A gramática, como sendo o conjunto das regras que determinam as diferentes possibilidades de associação das palavras de uma língua para a formação de enunciados concretos, no início complica. E a sintaxe própria de cada língua impede que sejam realizadas apropriadas combinações aleatórias entre as palavras.
Tenho seguido diuturnamente essa trilha nesses últimos anos; através do curso “Walk and Talk” disponível de forma gratuita em vários idiomas, no Spotfy e no YouTube. E me dei bem. Consigo me fazer entender quando viajo, ler livros e jornais, ver os noticiários diários e muitos filmes sem legendas, em quatro idiomas. O novo sempre vem. Questão só de utilizá-lo com ordem, método e persistência. Fica aqui a dica.

José Delfino – Médico

As opiniões contidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
Ponto de Vista

Recent Posts

COTAÇÕES DO DIA

  DÓLAR COMERCIAL: R$ 5,2280 DÓLAR TURISMO: R$ 5,3990 EURO: R$ 6,0200 LIBRA: R$ 6,9370…

20 horas ago

Brasil reduz em 72% mortalidade de crianças menores de cinco anos desde 1990, aponta relatório da ONU

Em 1990, a cada mil crianças nascidas no Brasil, 25 morriam antes de completar 28 dias de…

21 horas ago

Quanto tempo você precisa trabalhar para comprar comida em Natal?

Você já parou para pensar quantas horas por mês é preciso trabalhar para comprar comida…

21 horas ago

EUA usam bomba de penetração contra posições do Irã no Estreito de Ormuz, diz Comando Central

O Comando Central dos EUA disse ter utilizado nessa terça-feira (17) bombas de penetração profunda…

21 horas ago

Supremo condena deputados do PL por corrupção passiva

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou nessa terça-feira (17) dois deputados federais…

21 horas ago

PONTO DE VISTA ESPORTE – Leila de Melo

1- Hoje é dia de Clássico-Rei! A venda de ingressos para o primeiro jogo da…

21 horas ago

This website uses cookies.