O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, advertiu nessa segunda-feira (11) que a retirada do Reino Unido do bloco pode não acontecer, se não for aprovado o acordo de divórcio negociado com Londres, após reunião de última hora em Estrasburgo com a primeira-ministra britânica, Theresa May.
“É este acordo ou o Brexit poderia não acontecer”, afirmou Juncker, em coletiva de imprensa conjunta com May, ao apresentar as garantias negociadas sobre o acordo de divórcio entre Londres e a União Europeia, na véspera de uma votação crucial no Parlamento britânico.
Já Theresa May afirmou, após a reunião com Juncker, ter conseguido “mudanças legalmente vinculantes” no acordo do Brexit.
“Os deputados tinham claro que eram necessárias mudanças legais na salvaguarda [irlandesa]. Hoje, conseguimos mudanças legais”, disse May em coletiva de imprensa conjunta com Juncker, na véspera da nova apresentação ao Parlamento britânico do acordo de divórcio com as salvaguardas obtidas.
A fronteira irlandesa é um dos pontos cruciais para o Brexit. Após a afirmação da primeira-ministra, o ministro dos Transportes irlandês, Shane Ross, afirmou, segundo a agência Reuters, que o governo da Irlanda tem esperança de que o acordo seja ratificado no parlamento britânico.
Ainda segundo a Reuters, o primeiro-ministro irlandês, Leo Varadkar, fará um pronunciamento na terça-feira sobre as garantias anunciadas nesta segunda pelo Reino Unido junto à União Europeia. “Todos aqui estão esperando que ele [o acordo para retirada] será aprovado na Câmara dos Comuns amanhã [terça]. Não queremos dizer nada que distraia disso”, afirmou Shane Ross a repórteres.
Theresa May voltará na terça à Câmara dos Comuns para submeter o acordo de retirada, mais uma vez, aos deputados.
Se for adotado, o Reino Unido terá um Brexit ordenado, 46 anos depois de ter-se somado ao que então era a Comunidade Econômica Europeia.
Se for rejeitado, deverá perguntar aos deputados, no dia seguinte, se querem sair da UE sem acordo. Este cenário de ruptura brutal preocupa muitos parlamentares e meios empresariais, devido às consequências econômicas potencialmente caóticas.
Se os deputados se opuserem a uma ruptura brutal, votarão na quinta-feira uma proposta de adiamento “limitado” do Brexit, para além de 29 de março. Os dirigentes europeus advertiram que, para ser aceito, este adiamento deve estar claramente justificado.
Há, porém, alternativas para este plano de May.
Se os deputados rejeitarem um Brexit sem acordo, uma nova votação sobre o acordo poderá ser organizada imediatamente depois. Isso permitiria aos parlamentares – e, especialmente, aos ferrenhos partidários do Brexit – uma nova oportunidade para apoiar o acordo, em vez de se arriscar a um adiamento da data de retirada da UE. Este cenário mergulharia o país na incerteza.
Fonte: G1
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