E DEPOIS DO ADEUS? A NECESSIDADE DE UM PROTOCOLO MULTIPROFISSIONAL NO PÓS-ÓBITO NO CONTEXTO DE UMA CASA DE APOIO – Gilvania Guedes Teixeira Véras

E DEPOIS DO ADEUS? A NECESSIDADE DE UM PROTOCOLO MULTIPROFISSIONAL NO PÓS-ÓBITO NO CONTEXTO DE UMA CASA DE APOIO –

O processo de cuidado em saúde não termina com o óbito de um paciente. Para as famílias enlutadas, a perda marca o início de um período de dor e adaptação, que pode ser suavizado com um suporte adequado. Instituições que acolhem pacientes e seus familiares ao longo do tratamento já possuem um papel essencial na jornada do cuidado e podem também ampliar sua atuação no momento do luto, garantindo que ninguém enfrente essa transição sozinho (CARVALHO, 2020).

A ausência de um fluxo estruturado para o pós-óbito pode representar desafios tanto para os familiares quanto para os profissionais de saúde. O luto não assistido pode intensificar o sofrimento emocional, enquanto a equipe multiprofissional, que acompanha o paciente até seu último momento, muitas vezes sente a necessidade de diretrizes sobre como proceder após a despedida. Ter um protocolo multiprofissional permitiria que esse acolhimento ocorresse de forma mais organizada e humanizada, fortalecendo o vínculo entre a instituição e aqueles que passam por esse momento delicado (MELGAREJO, 2019).

Diante desse cenário, um protocolo poderia contemplar ações como acolhimento psicológico para os familiares logo após o óbito, orientação sobre trâmites administrativos e encaminhamentos para redes de apoio. Estudos demonstram que estratégias estruturadas nesse sentido contribuem para a adaptação ao luto e para a prevenção de complicações emocionais, além de oferecer mais segurança à equipe, que teria diretrizes claras para conduzir esse processo (CARVALHO, 2020).

Na Casa Durval Paiva, onde o cuidado vai além do tratamento médico, pensar em um protocolo de pós-óbito significa um avanço importante no suporte às famílias. A experiência acumulada no acolhimento de pacientes e cuidadores ao longo dos anos demonstra o compromisso da instituição com um olhar humanizado. Criar um fluxo estruturado para esse momento final reforçaria essa missão, garantindo que as famílias recebam apoio contínuo, mesmo após a despedida.

Mais do que um procedimento técnico, um protocolo multiprofissional no pós-óbito representa um compromisso com a dignidade e o acolhimento. Quando há um suporte adequado, o luto pode ser vivido de maneira mais respeitosa e assistida, fortalecendo laços de cuidado e solidariedade. A implementação de diretrizes institucionais para essa etapa do processo de cuidado é um passo valioso para garantir que ninguém enfrente essa dor sozinho e que a instituição continue sendo uma rede de apoio, mesmo depois do adeus (SILVA et al., 2023).

Gilvania Guedes Teixeira Véras – Psicóloga da Casa Durval Paiva – CRP: 17/4268
As opiniões contidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
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