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Doença que destrói mandioca pode levar milhões à fome

O pesquisador Calir Hershey diz que doença tem potencial de ameaçar a subsistência de 300 milhões de pessoas na África. Não se trata de uma pandemia, mas, ainda assim, é algo que pode ter consequências devastadoras à humanidade. A doença do listrado castanho da mandioca, ou CBSD (Cassava Brown Streak Disease, em inglês), avança a taxas alarmantes no oeste da África e, segundo especialistas, pode também afetar a América Latina. Depois do milho e do arroz, a mandioca é a fonte de energia nutritiva mais importante do mundo. Na África, alimenta e garante a renda de 300 milhões de pessoas. Ainda que tenha origem latino-americana, seu cultivo foi promovido durante anos no continente africano como uma fonte de nutrição segura, por sua tolerância a secas e a solos pouco férteis.

Especialistas advertem que a doença do listrado castanho, provocada por um vírus, pode resultar em quedas de 50% na produção de mandioca na África, com consequências fatais. A doença foi descoberta em 1935, na costa leste da África, e durante várias décadas foi tratada como um problema menor. Com o tempo, a propagação de cultivos da mandioca e o desenvolvimento de novas linhagens mais agressivas do vírus, o problema foi se agravando. Um dos grandes problemas do vírus é que os agricultores só percebem que sua plantação foi danificada quando já é tarde demais.

Os sintomas só aparecem nas raízes, que é justamente o que é consumido. O vírus é transmitido por uma mosca branca, e o aumento das temperaturas globais propiciou o aumento da população desses insetos. Segundo Hershey, os especialistas do setor estão “bastante preocupados” com a possibilidade de a doença chegar à América Latina – apesar de rígidas regras de quarentena ao transporte de sementes de mandioca, ou de qualquer outra semente. No momento, o risco não parece alto, já que a mosca transmissora não é vista em plantações latino-americanas. Mas os especialistas detectaram a presença do inseto no Caribe, mostrando que ela tem o potencial de chegar às zonas produtivas na América do Sul, como Brasil, Paraguai e Colômbia.

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