DIA INTERNACIONAL DA MULHER, NA LETRA DE ALEXANDRE HERCULANO – Luiz Serra

DIA INTERNACIONAL DA MULHER, NA LETRA DE ALEXANDRE HERCULANO –

Tirai do mundo a mulher e o mundo se transformará em um ermo melancólico. E os deleites serão apenas … o prelúdio do tédio!
Alexandre Herculano……..in Eurico, o Presbítero.

Prólogo do autor sensivelmente contrário ao celibato eclesiástico.

“Para as almas, não sei se diga demasiadamente positivas, se demasiadamente grosseiras, o celibato do sacerdócio não passa de uma condição, de uma fórmula social aplicada a certa classe de indivíduos cuja existência ela modifica vantajosamente por um lado e desfavoravelmente por outro. A filosofia do celibato para os espíritos vulgares acaba aqui. (…)
Quem, ao menos uma vez, não creu na existência dos anjos revelada nos profundos vestígios dessa existência impressos num coração de mulher? E por que não seria ela na escala da criação um anel da cadeia dos entes, presa, de um lado, à humanidade pela fraqueza e pela morte e, do outro, aos espíritos puros pelo amor e pelo mistério? Por que não seria a mulher o intermédio entre o céu e a terra?

Essa crônica de amarguras procurei-a já pelos mosteiros quando eles desabavam no meio das nossas transformações políticas.

O Monasticon é uma intuição quase profética do passado, às vezes intuição mais dificultosa que a do futuro. Sabeis qual seja o valor da palavra monge na sua origem remota, na sua forma primitiva? É o de — só e triste.”

O polêmico escritor, tido por muitos como leitura hermética e de difícil interpretação, Alexandre Herculano nasceu em Lisboa em 1710. Foi historiador e redator cáustico da imprensa imperial portuguesa. Autor marcante do Romantismo em Portugal, na mesma linha de Almeida Garret, primeira geração; secundado na segunda por Camilo Castelo Branco e Júlio Diniz, este autor de ‘As pupilas do Senhor Reitor’.

Em suma, o Romantismo português deriva dos acontecimentos do século XIX. Exibiu nas letras, nas artes plásticas, evocado como movimento contrário ao Neoclassicismo, em razão da linha que afastava a obsessiva racionalidade clássica, passou-se então a contrafazer os detalhes de ordenação, proporção e harmonia de formas.

No entendimento da crítica, se coloca na sucessão ao Arcadismo, em meio a uma época política de contrariedades e interesses por mudanças econômicas e sociais. O enredo continental teve a inspiração evidente na efervescência da Revolução Francesa e nas consequentes Guerras Napoleônicas que enredaram o território europeu entre 1830 e 1840.

Alexandre Herculano não se sentou nos bancos da universidade. Realizou curso de Comércio em 1830, e curso de Diplomacia na Torre do Tombo, estudou no período antecedente francês, inglês e alemão.

Notadamente aos seus escritos e críticas, contrariou interesses políticos e institucionais, ainda nesse aspecto envolveu-se nas lutas liberais que cresceram nos muitos focos pelo país. Diante dessas intensas atividades político-partidárias, acabou forçado a sair de Portugal, em 1831, indo se fixar na França. O contato e o conhecimento se estabeleceram com os autores franceses que já acendiam a chama do Romantismo.

Dois anos após retorna a Lisboa. Publica estudos históricos, contos e novelas, que se materializaram em livros, como “A Harpa do Crente” de 1838.

Em 1839, foi nomeado pelo Rei D. Fernando para dirigir a Real Biblioteca da Ajuda. Em 1840 eleito deputado pelo Partido Conservador, no Porto, e logo se indispôs com as peculiaridades políticas. Por fim manteve-se apenas na escrita e dedicado à sua literatura. Desse tempo nasceram O Bobo e Eurico, o Presbítero.

Esta última sua obra primacial (1844), que tem como enredo a invasão pelos árabes na fase da Idade Média. Nas entrelinhas, a trama se baseia no amor de Eurico por Hermengarda, que foi proibido pela sua família em face de classe social diferente. Eurico daí então recorre à vida religiosa.

Herculano Faleceu em Santarém, Portugal, em 1877. Ao revisitar aqui Alexandre Herculano a homenagem a tantas mulheres criativas, guerreiras e heroínas… Maria Quitéria, Maria Felipa, Frida Kahlo, Maria Bonita, .. e cada qual indique mais e mais nomes fabulosos de conquistadoras de seus espaços primordiais.

 

 

 

Luiz SerraProfessor e escritor
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