DEZEMBRO –
Nesses tempos de escrita mínima e leitura rápida , o olhar superficial da maioria posto em fotos e “selfies” predomina. As ferramentas estatísticas disponíveis na rede dão conta disto.
Quem as postam, apenas cogito, transmitem de forma adequada a real essência da própria intenção? Impossível afirmar. Mas a “ilusão” da imagem projetada ganha muito mais corpo em relação ao textos , independentes de tamanho , forma e conteúdo .
Talvez por tal fato, por por escrito o que se pensa torna-se de uma certa forma e algumas vezes, algo “perfeito” e rápido. Com uma grande vantagem. A preservação do anonimato da imagem. Quem tecla, em vez de falar ao vivo com alguém , se vê livre da timidez. Não vejo nada de errado nisso.
A facilidade de editar o que se pensa , até ficar aceitável ao ponto de vista de quem o escreve , é um incentivo a mais. Daí alguns conseguirem expor temas relevantes e inteligentes com brevidade e clareza , através de um minimalismo textual que me impressiona. Seguindo a regra , a incidência também é mínima .
O que me faz inferir que certas coisas por aqui, nesses tempos de “fast tracks”, não demandam mais o tempo e a paciência, que, às vezes, nem uma existência inteira bastaria.
E na trilha das relações afetivas não virtuais ? A maneira de abordagem um tanto poética através da qual ela seria como tipo as sete maravilhas do mundo : o encontro/a observação/a simpatia/a afeição/a paixão/o amor/ e (talvez) um final feliz.
Não sei . Vou prestar mais atenção, procurar saber . Tentar desvendar o subjacente. Entender as entrelinhas.
Essas “maravilhas” implicavam piscada de olhos, fazer como não quer, querendo, e , após bem estudado o terreno , mãozinhas dadas no cinema, um chope; quem sabe até aquela macarronada maldita num fim de madrugada no restaurante “Bella Napoli”, quando ele ainda existia.
Então tudo rolava na base do “a gente se vê amanhã”, ou “ me liga ‘ ou “te ligo depois”. Pra que pressa ? Sem ela enchíamos o corpo e a alma de calorias.
Iniciava-se, na prática, um gostoso masoquismo travestido de calvário e amor (talvez). Era assim, mas a era das relações virtuais nos tempos de internet, imprimiu velocidade ao processo.
Claro, não quer dizer que a abordagem à moda antiga não mais funcione. Também não dá a certeza de solidez e estabilidade futura em qualquer relacionamento.
Nada a opor. Apenas a velocidade assusta. Afinal, um dos segredos pra ser feliz não é ter tudo que se quer , mas aprender a gostar de tudo que se tem. O que toma tempo , também. No saber, o segredo. No perceber, a questão. Detalhes se externam de inúmeras formas. Simples , assim.
José Delfino – Médico, poeta e músico
As opiniões contidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
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