DESASSOSSEGO – José Alberto Maciel de Oliveira

DESASSOSSEGO –

Domingo, coisa de nove da matina,sigo em direção ao litoral Sul,em busca de minha praia predileta, onde nessa época do ano o vento sopra com força castigando a areia que, irritada sai de fininho batendo em nossas pernas como a se vingar do tempo.

Logo, no primeiro sinal de trânsito sou abordado por uma ruma de vendedores, que vendem tudo e mais um pouco, além dos infernais limpadores de para-brisa, que vão logo jogando água sem querer saber se o carro acabou de sair do lava jato.

Ao longo do caminho vou sendo abordado por todo tipo de vendedores, de guia turístico a tatuador de rena, isso sem citar aqueles que ficam com um caranguejo na mão, acenando na frente do veículo, interrompendo nossa direção e se arriscando a serem atropelados .

Já chegando na praia que me dirigia e lembrando dos vendedores de tudo e mais um muito que por lá andam, resolvo mudar o roteiro e ir até à Lagoa do Carcará, onde ao menos eu teria sossego e me livraria dessa aporrinhação.

Antes,passo no povoado Timbó e resolvo comprar uma cachaça para presentear os amigos. Para minha surpresa o preço da nossa lúdica caninha está Papary de cara,e não teve argumento que fizesse o preço baixar, até disse que era nativo, consumidor antigo, criado por essas brenhas, nada, era pegar ou largar, larguei. Nessa hora baixou uma saudade danada de grande do meu amigo Cara de Burro, matuto e da “Matuta” lá de Areias-PB, onde sou bem recebido e tratado com um manjar dos deuses ,seja envelhecida ou branquinha mesmo, tradicional.

Continuo o trajeto até a Lagoa do Carcará, logo no caminho sou abordado por um motoqueiro querendo me ensinar o caminho,argumento que já conheço, mas,ele insiste dizendo que me levando ganha uma comissão; daí,lá vamos nós…

Logo na chegada, surpresas desagradáveis: botecos de alvenaria construído ao largo da Lagoa, pedalinhos na água, stand up, além de uma gritaria infernal de vendedores ambulantes que chegam a tirar qualquer um do sério. Não consegui ficar um tantim de tempo sem ser importunado, haja saco!

Sinceramente, para minha tristeza, a Lagoa do Carcará que conheci, já não existe mais, hoje foi rebaixada de categoria, para no máximo, Lagoa dos pardais e olhe lá… Saudades daqueles tempos, tempos de nunca mais…

 

José Alberto Maciel de Oliveira – Representante comercial aposentado

As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores
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