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Delação de Palocci apresenta pesada munição contra Lula

Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda e da Casa Civil nos governos Lula e Dilma, que trocou de advogado para cortar os laços umbilicais com o ex-presidente petista, tem apresentado muita munição contra Lula. As declarações feitas pelo petista incluem bancos, setores automotivo e sucroalcooleiro, e relações suspeitas de empresas com a Receita Federal. O jornal Correio Braziliense apurou que até o momento Palocci já apresentou 12 anexos em sua delação. Neles constam documentos, comprovações de reuniões e nomes de pessoas com as quais se relacionou ao longo do período em que foi ministro. Mas também longe da Esplanada, em conversas para arrecadação de recursos para a reeleição de Lula em 2006 e na primeira vitória de Dilma, em 2010, quando foi o coordenador-geral da campanh. Na época, ele foi auxiliado pelo então presidente do PT, José Eduardo Dutra, e pelo ex ministro da Justiça José Eduardo Cardozo. O trio foi apelidado de “Os três porquinhos”.

De tudo o que Palocci falou até o momento, segundo o jornal, a principal munição atinge o BTG Pactual, banco que foi presidido por André Esteves, preso em novembro de 2015, acusado de obstrução das investigações da Lava-Jato. Foi liberado poucas semanas depois, mas o fantasma do crescimento mal explicado do banco nos anos do PT no poder continuam assombrando os petistas. Estão na mira, por exemplo, as compras de outros bancos pelo BTG. Palocci também já apresentou munição contra representantes do setor automotivo. Durante os governos do PT, sobretudo os anos de Lula no Planalto, o setor foi muito beneficiado por desonerações de impostos como uma maneira de impulsionar o consumo interno e permitir que o país superasse a crise econômica de 2008.

Palocci permaneceu no posto até 2006, mas foi sucedido por Guido Mantega. Este, que também é alvo de investigações da Lava-Jato, embora, diferentemente de Palocci, permaneça em liberdade, lembrou-se esta semana de uma conta na Suíça, não declarada, com depósitos de US$ 600 mil. Para uma das vozes mais influentes da esquerda petista, isso é um sinal dos solavancos pelos quais o partido terá de atravessar. A delação de Palocci, segundo fontes que acompanham as discussões até o momento, também apontam benefícios tributários para empresas do setor sucroalcooleiro. Ao longo dos 10 últimos anos, eles foram estimulados em programas de aumento de álcool no composto da gasolina, nos projetos para retomada da produção de etanol e no reembolso de 0,3% do valor do imposto equivalente às exportações do setor. Palocci também tem muito a dizer sobre as negociações conduzidas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), alvo das ações do Ministério Público e da Polícia Federal dentro da Operação Zelotes.

Ponto de Vista

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