DE VOLTA PARA O PASSADO I – Guga Coelho Leal

DE VOLTA PARA O PASSADO I –

Resolvi voltar ao passado, e fazer uma viagem ao interior. Esta época do ano é para mim o melhor momento para viajar ao interior. A vegetação de um verde especial, o gado pastando, um clima ameno, um povo feliz dentro de suas limitações.

Peguei o carro, e fui até São José de Mipibu, aproximadamente 32Km de Natal, tempo gasto meia hora. Não passei no Centro da cidade, fui direto onde ficava o Engenho Boa Vista, propriedade que pertenceu a meu avô. Tudo diferente, não existe mais o velho engenho, apenas a presença da casa grande  e da igrejinha mas, deu para matar a saudade, senti o cheiro do bagaço de cana e vi (em minha mente) o caminhar do gado, saindo do curral indo para o pasto, senti o cheiro e o gosto do leite cru, tirado na hora do peito da vaca. Tudo é passado. Segui em direção das Laranjeiras, passando na propriedade de meus primos e depois dos Liras e dos Ferreiras e Garcías, amigos de infância. Fiz o retorno para Parnamirim e segui em direção a Lajes, conhecida como Lajes do Cabugi, lembrei-me de Ronald Gurgel, que tinha uma pequena vacaria em Macaíba as margens da BR 304,continuo a viagem, novamente as lembranças, quantas vezes eu fiz esta mesma viagem em um Jeep Willys de propriedade de meu pai, com o mesmo destino. Meu pai, com seu inseparável charuto e um chapéu preto adorava fazer esse passeio para ir à casa do meu tio Pereira.

Na BR 304, nesta época, a paisagem é muito bonita, com alguns barreiros cheios com garças brancas tomando água ou nos galhos das árvores. Passo em Caiçara do Rio do Vento, e lembrei-me do sonho de menino, fazer um filme faroeste com este nome e filmado naquela região.

Chego em Lajes, dirijo-me até a praça e sento em um banco para sentir mais aquele momento. Vejo a Igreja e um pouco adiante a casa do meu tio Pereira, um bom homem que foi prefeito mais de uma vez, pessoa muito querida na cidade e amigo do meu pai. Vejo mentalmente os dois andando e conversando pela cidade, das brincadeiras que faziam pelas ruas, das festas de aniversários da casa do meu tio, festas que as vezes durava três dias. Lembro-me dos primos e das primas, muitos já não estão mais aqui conosco, partiram para outra dimensão e os que ficaram relembram com alegria aqueles bons momentos.

Hora de voltar, vou abastecer o carro e almoçar. Paro no posto de Zé Militão, vem as lembranças das festas no restaurante daquele posto. Tudo passou, ficaram as lembranças que um dia vão apagar. Chega um momento em nossas vidas que tudo que fazemos vira lembranças e será sempre um livro sem capa ou pagina que viverá dentro de nós.

 

 

Guga Coelho Leal – Engenheiro e escritor, membro do IHGRN

As opiniões emitidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
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