DE RACIOCÍNIO PERIFÉRICO SOBRE OS QUE EXCRETAM A ESMO – José Delfino

DE RACIOCÍNIO PERIFÉRICO SOBRE OS QUE EXCRETAM A ESMO –

Negócio o seguinte: essa onda de exposições ao vivo de corpos nus excretando imensos bolos fecais em demonstrações escatológicas ambulantes com conotações eróticas, ditas de protesto (com todo o odor do indol e do escatol que o ar suporta e tem direito), vai da observação à náusea.

Fui professor universitário e aprendi a entender um pouco essas coisas. A variação dos conceitos ao longo do tempo será sempre um fator preponderante de evolução. Alguns dizem, esqueçam esses pequenos detalhes, visitem as universidades, conheçam seus laboratórios, seus hospitais, seus museus, suas bibliotecas, suas publicações. Andem pelas salas de aula. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

Tudo isso, até aí, me pareceria ser e fazer, no fundo, parte de um processo dialético em progressão. Voce não iria querer comparar a UFRN, com a de Harvard, de Oxford, ou com a Patrice Lumumba  só para citar três exemplos de abordagens ideológicas opostas. São realidades diferentes. A nossa Universidade é recém nascida se comparada às duas primeiras, citadas como referência (estudei em universidade europeia e conheci in loco as três citadas). Encaro essas manifestações até com um certo humor, mas as vejo como de péssimo gosto, pra dizer o mínimo.

Esta sucessão de entusiasmos por este tipo de comportamento evidencia uma prática e um mau gosto bem instalado nos costumes e explicitam muito mais que revolta, crítica ou protesto. Prática que retira da maioria da população confiança e respeito. E mais , uma atitude que em princípio deveria propiciar harmonia entre o povo e o poder , abandona um rito fundacional e tenta se instituir como forma de arte.

Arte escatológica, nem as oriundas de gênios como Pasolini, John Waters, e seus personagens inesquecíveis, – Baby Divine, pra citar só um deles – . Ao fim e ao cabo, acho até que voce concordaria comigo quanto a este aspecto, caro leitor. Me embrulha o estômago esse tipo de coisa ao vivo. A banalidade da patologia crônica. No cinema, nem tanto, pois só vê quem quer. E quem gosta.

 

 

José DelfinoMedico, poeta e músico
As opiniões contidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
Ponto de Vista

Recent Posts

COTAÇÕES DO DIA

DÓLAR COMERCIAL: R$ 5,3080 DÓLAR TURISMO: R$ 5,5170 EURO: R$ 6,2250 LIBRA: R$ 7,1560 PESO…

1 dia ago

MP denuncia oito pessoas por esquema de sonegação que causou prejuízo de R$ 1,5 milhão no RN

O Ministério Público do Rio Grande do Norte ofereceu denúncia contra oito pessoas investigadas em…

1 dia ago

Motorista de carreta-tanque fica preso às ferragens após acidente na BR-101 no RN

Uma carreta-tanque tombou na BR-101, em Goianinha, no litoral Sul do Rio Grande do Norte,…

1 dia ago

Viatura da PRF capota durante perseguição a motociclista na BR-101 na Grande Natal

Uma viatura da Polícia Rodoviária Federal (PRF) capotou na noite dessa quarta-feira (21), durante uma…

1 dia ago

RN tem recorde de transplantes em 2025, mas segue com filas de espera por órgãos

O Rio Grande do Norte registrou um recorde no número de transplantes de órgãos realizados…

1 dia ago

Justiça condena governo do RN a pagar R$ 500 mil de indenização por assédio moral em secretaria

A Justiça do Trabalho condenou o estado do Rio Grande do Norte a pagar R$ 500…

1 dia ago

This website uses cookies.