DE PREFERÊNCIA SEM SOM – Armando Negreiros

DE PREFERÊNCIA SEM SOM –

Estava me preparando para escrever alguma coisa sobre as asneiras que os comentaristas falam durante os jogos de futebol. Imediatamente, para diminuir a irritação incontrolável, me veio a ideia de ativar a função mudo da televisão, pois, dessa forma, seria poupado das babaquices redundantes.

Na copa do mundo eles se esmeram. Lembra-me Rui Porto, num jogo do Brasil contra a Itália. Ganhávamos de 4 a 1 e faltavam três minutos para terminar. Ele comentou:

– Brasileiros, podem ficar tranquilos, eu lhes dou a minha palavra que o Brasil já ganhou esse jogo… posso afirmar isso porque estou aqui, pessoalmente, de modo que garanto, empenho a minha palavra, o Brasil é campeão.

Descanse em paz, Rui.

O ridículo atinge o clímax quando eles começam a dialogar. A besteirada é inacreditável. Recentemente, um comentou:

– Vejam aí, a seleção entrou em campo… já se pode imaginar… já estou imaginando…

O outro, então, replicou:

–  O que danado você está imaginando?

O primeiro começou a gaguejar, desnorteado, sem saber o que dizer.

Um dia desses, juro que escutei, o diálogo foi o seguinte:

– Alô Arimatéia, essa dupla de jogadores está cada dia mais afinada, me lembra a famosa dupla Mickey e Mouse…

– Dionísio, acho que você se enganou… a famosa dupla era Mickey e Rooney, o Mickey Mouse é um só…

Parece brincadeira, mas é verdade. O tal do Galvão Bueno dá cãibra, ou câimbra, em perna de bilhar, gonorréia em pau de vassoura, faz bala de canhão dobrar esquina e dá nó em pingo d’água… êta sujeitinho chato!

Há alguns anos, no jogo Brasil e Turquia acabei ficando também sem imagem: a Globo simulou um demorado flerte entre Zagalo e Rivaldo, na hora deste bater um pênalti que não houve. Pouco tempo depois, o mesmo Rivaldo simula uma bolada no rosto, que também nunca existiu, e o juiz engole a pulha e expulsa o jogador turco. Embora eu seja muito calmo, irritei-me e desliguei a televisão.

Antes do jogo com o México o Brasil não valia coisa alguma, perdeu até para o Paraguai, o brasileiro não sabe nadica de nada de futebol, não sabe jogar bola. Depois de enfiar quatro a zero voltou a ser o melhor time do mundo, viva o Brasil, vivam os jogadores, viva o verde, viva o amarelo, viva Parreira, Zagalo, viva o Flamengo, viva Yustrich… Sinal dos tempos: ainda me lembro desse treinador.

O Neymar Cai Cai quando não cai fratura o mesmo osso – o quinto metatarso do pé direito. Cheio de brincos, tatuagens e penteados diferentes se passasse o tempo que perde com isso treinando para não cair jogaria muito melhor.

Agora vou ficar sem som e sem imagem. Aliás, não quero saber mais nem o resultado. Danem-se!

 

 

Armando Negreiros – Médico e Escritor –negreiros@digi.com.br
As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores
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