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DANÇA: A LINGUAGEM DA ALMA QUE SENTE, SONHA E AMA – Raimundo Mendes Alves

DANÇA: A LINGUAGEM DA ALMA QUE SENTE, SONHA E AMA –

“A dança é a linguagem escondida da alma.”  Martha Graham

Em algum lugar entre o corpo e a alma, entre o chão que se pisa e o ar que se deseja tocar, está a dança — essa linguagem que antecede as palavras, esse movimento que traduz o indizível. Dançar é sentir. E sentir é, inevitavelmente, mergulhar na profundidade da existência humana, com seus sonhos, dores, alegrias e amores.

A frase que inspira esta reflexão — “Dançar é sentir, sentir é sonhar, sofrer, sofrer é amar… Tu amas, sofres e sentes… Dança!” — nos conduz a uma espiral de emoções que revelam o que há de mais autêntico em nossa humanidade: a capacidade de viver intensamente cada instante, mesmo — ou principalmente — aqueles que nos desafiam.

Dançar é sentir. O corpo se move ao som que o embala, mas quem guia o compasso é a emoção. Não se dança apenas com os pés, mas com a memória, com a pele, com as cicatrizes. A dança é o eco do que sentimos, traduzido em giros, em gestos, em silêncios coreografados. É o momento em que deixamos de resistir e nós entregamos. Sentir é inevitável. É o que nos separa das máquinas e nos une enquanto seres humanos.

Sentir é sonhar. Quem sente, imagina. Quem se permite tocar pela emoção inevitavelmente sonha com aquilo que ainda não é, mas poderia ser. A dança nasce desse sonho — o de ser livre, de ser leve, de ser inteiro, ainda que por um instante. O bailarino sonha com o voo, com o amor, com a paz. E, ao dançar, torna o sonho tangível, mesmo que efêmero.

Sofrer é amar. Ninguém sofre por aquilo que não ama. A dor nasce do apego, da ausência, da expectativa. Amar é se lançar sem garantias; é correr o risco de sofrer. Mas, paradoxalmente, é também o que nos dá sentido. A dança, muitas vezes, é o desabafo da alma ferida, o lamento do corpo que insiste em continuar. O sofrimento encontra alívio no movimento; a dor, expressão; e o amor, um palco.

Tu amas, sofres e sentes… Dança! Essa convocação é um chamado à vida. A dança se transforma, assim, em metáfora existencial. Não importa o que sentes — se alegria ou melancolia — dança! Não importa se estás ferido — dança! Não importa se os sonhos parecem distantes — dança! Pois é na dança que nos reinventamos, que nos permitimos continuar, mesmo quando tudo parece ruir.

Em tempos de tanta racionalidade e controle, dançar é um ato de coragem. É aceitar a fragilidade, é expor-se, é entregar-se. Dançar é um grito silencioso contra a apatia. É uma prece com o corpo. É poesia em movimento.

Que tu, que amas, sofres e sentes, não te esqueças: dança! Porque enquanto dançares, ainda estarás vivo.

 

 

 

 

Raimundo Mendes Alves – Ex-policial, advogado criminalista e vereador

As opiniões contidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
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