O curta-metragem potiguar “Mariposa”, dirigido por Alexandre Américo e Pedro Vitor e estrelado por Mãe Bianca de Omolú, foi selecionado para a Mostra Competitiva Nacional da 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. O filme será exibido no sábado, 12 de setembro, às 21h, no Cine Brasília, marcando também a estreia da produção.
O festival recebeu cerca de 2 mil inscrições de curtas e longas-metragens, número considerado inédito na história do evento. A programação reúne mais de 70 filmes brasileiros, entre curtas, longas e documentários.
Na Mostra Competitiva Nacional, foram selecionados sete longas e 12 curtas-metragens. “Mariposa” é o único filme do Rio Grande do Norte entre as produções escolhidas.
A 59ª edição do Festival de Brasília acontece entre 11 e 19 de setembro, no Cine Brasília e em outros equipamentos culturais da capital federal. Além da sessão oficial, o curta potiguar terá uma reprise na manhã do domingo (13), seguida de um debate com a equipe.
“Mariposa” foi gravado na praia de Santa Rita, em Extremoz, na Grande Natal. Em preto e branco e com 14 minutos de duração, o filme aborda memória, rito, natureza e território.
A história acompanha Dona Zefa, interpretada por Mãe Bianca de Omolú, e Oliveira, vivido por Alexandre Américo. Os personagens habitam um território marcado por uma disputa relacionada à permanência no local.
Pedro Vitor, que divide o roteiro e a direção com Alexandre Américo, é artista potiguar multimídia, pessoa com deficiência e bacharel em Comunicação Social – Audiovisual pela UFRN. O filme também é o trabalho de conclusão de curso dele.
Para os diretores, a seleção representa um momento importante para a trajetória da Torta Plataforma, produtora responsável pelo curta.
“Fizemos esse trabalho de forma muito séria, com uma rede comprometida de pessoas, sendo a maioria racializada e gênero dissidente, e essa seleção vem ao encontro do compromisso que temos construído e repensado sobre os modos de produção de cinema. Estamos muito felizes por poder participar desse festival, onde teremos a oportunidade de dialogar com pessoas de todo o país”, afirmou Alexandre Américo.
“Mariposa” é o terceiro filme da Torta Plataforma. Antes dele, o grupo produziu os curtas “Praia das Artistas” e “Bípede”, ambos lançados em 2025.
O roteiro surgiu a partir do encontro entre Alexandre Américo e Pedro Vitor e da aproximação de Pedro com as encantarias, caboclagens, Jurema Sagrada e religiosidades de terreiro do Candomblé.
Entre as referências utilizadas na construção da história estão itãs, contos e narrativas transmitidos em rodas, xirês e rituais relacionados às tradições do Candomblé e aos ensinamentos sobre os Orixás.
A partir dessas referências, Oliveira e Dona Zefa são apresentados como personagens encantados ligados ao território de Santa Rita.
“Podemos dizer que é um filme afrofabulado, que tenta, de alguma maneira, conferir realidade a essas existências, desses encantados e desse território. Essas narrativas, de alguma maneira, transmitem o saber ancestral e, a partir dessa lógica circular, espiralada, fabulamos dois personagens que são também encantados, pessoas que já fizeram suas travessias em Santa Rita”, explicam os diretores.
A distribuição do filme é feita pela Ebó Filmes. A participação na principal mostra competitiva do Festival de Brasília amplia a circulação da produção potiguar no circuito nacional.
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