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Contra coronavírus, África do Sul põe exército para reforçar isolamento e criminaliza disseminação de informações falsas

Militar gesticula para um sem teto em Joanesburgo, em 27 de março de 2020 — Foto: Siphiwe Sibeko/Reuters

O isolamento obrigatório na África do Sul começou a vigorar nesta sexta-feira (27), e é uma das restrições mais severas do mundo. O país chegou aos primeiros mil casos.

O bloqueio de 21 dias entrou em vigor à meia-noite. Ele restringe as pessoas a suas casas para a maioria das atividades, incluindo exercícios, permitindo saídas apenas para fins específicos, como comprar comida ou para emergências de saúde.

Com lojas, restaurantes e escritórios fechados, ruas nas partes mais ricas de Joanesburgo pareceram mais silenciosas do que o habitual.

Mas grandes multidões continuaram a se reunir na cidade de Alexandra e em outros municípios pobres, onde as condições apertadas dificultam o distanciamento social e oferecem um terreno fértil para o vírus entre as pessoas que dependem de um sistema de saúde pública em dificuldades.

A parte mais pobre da população teme as consequências econômicas que a epidemia está causando.

“Não tenho dinheiro, agora estou pensando no que devo fazer. Ficarei preso em casa com meus bebês e minha esposa”, disse o vendedor de rua Godfrey Thula à Reuters no centro de Joanesburgo.

As duas primeiras mortes do país pelo vírus ocorreram na província de Cabo Ocidental. O total de casos subiu acima de 1.000, de 927 na quinta-feira (26), informou o Ministério da Saúde.

Isso faz da nação mais industrializada da África um epicentro do surto no continente, onde 3.212 pessoas foram infectadas no total, das quais 84 morreram.

No centro de Joanesburgo, a Reuters viu a polícia tirar 300 sem tetos para levá-los a um abrigo.

Em Alexandra, a emissora local eNCA mostrou imagens de ruas movimentadas e longas filas do lado de fora dos supermercados.

Ramaphosa, em uma reunião virtual do G20, fez lobby com países mais ricos para ajudar a amortecer o golpe na África devido a uma pandemia que matou mais de 21 mil pessoas em todo o mundo e devastou cadeias de suprimentos.

Economia ameaçada

A economia da África do Sul já enfrentava problemas e parece vulnerável aos efeitos do surto de Covid-19.

O rand, a moeda, perdeu 1,3% em relação ao dólar após a notícia do aumento de casos e primeiras mortes.

Mesmo antes do coronavírus, a África do Sul estava envolvida em recessão e queda na produção industrial causada principalmente por cortes de energia e em uma companhia estatal, a Eskom.

As empresas de mineração, o núcleo de sua economia, estão cortando ou fechando a produção, o que atingirá ouro, cromo e manganês, embora a produção de metais do grupo da platina continue.

O porto da África do Sul também está fechado, interrompendo o fornecimento global de cobre, assim como seus aeroportos.

A classificação de grau de investimento está em jogo. Apenas a Moody’s mantém os títulos do país acima dos títulos podres, o desemprego está há uma década em cerca de 30%, e as empresas estatais em dificuldades sangraram bilhões de rands do tesouro.

O banco central começou a comprar títulos para tentar aliviar uma crise de liquidez, enquanto Ramaphosa anunciou medidas destinadas a ajudar pequenas empresas.

Fonte: G1

Ponto de Vista

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