Nem tudo é festa no acordo que Donald Trump conseguiu entre Israel e os Emirados Árabes Unidos, juntamente com o Bahrein. Hoje (15) os palestinos pretendem realizar protestos contra os acordos de paz que estão sendo assinados em Washington entre Israel e os dois países do Golfo Pérsico. O presidente da Autoridade Palestina, Mohammad Shtayeh, pediu aos Estados árabes que boicotem o evento em Whasington. Os palestinos pediram ainda que todas as cidades Cisjordânia, bem como na Faixa de Gaza enfatizem a objeção dos palestinos ao hasteamento da bandeira israelense em Abu Dhabi e em Manama. Os palestinos acusam os governos dos Emirados Árabes e Bahrein de traição a sua causa, ao aceitarem normalizar as relações com Israel. Isto tudo, porque havia um acordo entre todos os países árabes para que só se inicializasse as relações entre eles e o Estado Judeu, após um acordo de paz com os palestinos. O que é pior aos palestinos é que existem rumores que Sudão, Omã e Marrocos poderiam seguir o exemplo dos Emirados Árabes e do Bahrein. Os palestinos ainda tinham pedido a Liga Árabe que condenasse os acordos em reunião de emergência, mas a cúpula dos vinte e dois membros da organização não atenderam a esse pedido. Todavia, o mais curioso é que o professor e ativista palestino, Mohammed Dajani Daoudi, acredita que os acordos podem ajudar a resolver o conflito palestino-israelense a longo prazo. Ele acredita que uma normalização diplomática, com abertura mútua de embaixadas, levará Israel a se sentir mais seguro no Oriente Médio e, portanto, ser mais generoso e disposto a fazer concessões aos palestinos. E por isso, segundo Daoudi, a liderança palestina deveria voltar à mesa de negociações com Israel à luz dessa nova realidade diplomática, aceitando também fazer concessões para alcançar um acordo de paz duradouro.
Mário Roberto Melo – (Correspondente do Blog Ponto de Vista, em Tel Aviv, Israel)
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