Embora não exista uma forma de prevenir completamente o Alzheimer, especialistas afirmam que alguns hábitos podem ajudar a preservar a saúde do cérebro e reduzir o risco de desenvolver a doença ao longo da vida.
Para a neurocientista Lisa Mosconi, uma das principais pesquisadoras da saúde cerebral feminina, cuidar do cérebro deve fazer parte da rotina muito antes do envelhecimento.
Entre as principais recomendações estão:
Segundo os especialistas, o estresse merece atenção especial. Quando ele se torna crônico, o organismo produz níveis elevados de cortisol, hormônio que pode favorecer processos inflamatórios e prejudicar áreas do cérebro relacionadas à memória.
Nas últimas décadas, a ciência também passou a enxergar o Alzheimer de uma forma diferente: em vez de uma doença que surge apenas na velhice, pesquisadores entendem hoje que as alterações cerebrais podem começar décadas antes dos primeiros sintomas.
“O Alzheimer começa na metade da vida”, afirma o neurocientista entrevistado na reportagem.
Segundo estudos recentes, especialmente nas mulheres, essas mudanças podem surgir por volta dos 50 anos — ou até antes, aos 45 — período em que ocorrem alterações hormonais relacionadas à menopausa.
Pesquisas mostram que cerca de dois terços das pessoas diagnosticadas com Alzheimer são mulheres.
Os cientistas investigam o papel do estrogênio, hormônio considerado fundamental para a saúde cerebral. Além de contribuir para o fornecimento de energia ao cérebro, ele melhora o fluxo sanguíneo, ajuda a reduzir inflamações e favorece o funcionamento dos neurônios.
Durante a menopausa, a queda desse hormônio pode deixar o cérebro mais vulnerável. Por isso, em mulheres sem contraindicações, a reposição hormonal pode ser uma estratégia discutida com o médico para proteger a saúde cerebral.
Além dos cuidados com o corpo, manter a mente ativa também é apontado como um fator importante para um envelhecimento saudável.
Ler, estudar, aprender novas habilidades, trabalhar, manter a vida social e realizar atividades intelectuais ajudam a estimular o cérebro ao longo dos anos.
A aposentada Socorro, de 90 anos, acredita que permanecer ativa faz parte desse processo. Ela continua trabalhando, usa as redes sociais e mantém uma rotina de cuidados com a saúde.
Outra frente promissora da pesquisa envolve exames de sangue capazes de identificar alterações relacionadas ao Alzheimer antes mesmo do aparecimento dos sintomas.
Os testes já foram aprovados nos Estados Unidos e, segundo especialistas, devem chegar ao Brasil nos próximos anos. A expectativa é que o diagnóstico precoce permita intervenções mais rápidas e melhores estratégias para retardar a progressão da doença.
Para os pesquisadores, a principal mensagem é de esperança.
Em vez de encarar o Alzheimer como um destino inevitável, o avanço da ciência mostra que mudanças no estilo de vida podem contribuir para a saúde do cérebro e que novas estratégias de prevenção e diagnóstico estão cada vez mais próximas da população.
Fonte: G1
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