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Comitê de cientistas vai sugerir manutenção de isolamento social ao Governo do RN

Ricardo Valentim, do Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde — Foto: Arthur Barbalho/Lais/UFRN

Um comitê formado por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e outras instituições vai apresentar um parecer ao governo do estado, até esta terça-feira (21), sobre a manutenção das medidas de isolamento social durante o combate à pandemia do novo coronavírus. Os atuais decretos estaduais suspendem aulas e funcionamento do comércio e outros setores do estado até a próxima quinta-feira (23). Os cientistas ouvidos pelo Portal G1 não apontaram as recomendações que serão apresentadas, mas defenderam o isolamento social.

O grupo deve se reunir virtualmente na noite dessa segunda-feira (20), para discutir os efeitos das medidas atuais e quais novas sugestões devem ser apresentadas ao governo.

“A gente está trabalhando desde ontem (domingo), com relação a supermercados, ao decreto, ao conjunto de questões que seriam revogadas agora dia 23. A Secretaria de Saúde já pediu esse apoio do comitê científico. Nós vamos nos reunir e, a partir daí, emitir algum parecer técnico. Na minha opinião, a tendência é manter o isolamento, porque nós não temos ainda um diagnóstico preciso em relação ao número de casos confirmados. Temos uma subnotificação”, afirmou Ricardo Valentim, coordenador do Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde (Lais).

De acordo com ele, como o Brasil não tem como fazer uma ampla testagem por causa da falta de insumos, disputados por todo o mundo, é preciso acompanhar as curvas epidemiológicas, que estariam mostrando uma evolução menor devido às medidas de isolamento. Ele ressalta, porém, que a decisão não é dos pesquisadores, mas do governo.

“Nós mostramos que há um sucesso em relação à curva. Nós estávamos passando a média do Brasil, chegando à do Sudeste, e baixamos da média do Brasil, baixamos da média do Nordeste, estamos um pouco abaixo. Ou seja, os decretos, as recomendações do estado ao recolhimento, ao distanciamento social, estão surtindo efeito. Significa que temos que manter por mais um período e observar a evolução da epidemia. Então a decisão tem que ser tomada semana a semana”, destacou.

Para a professora Marise Reis, infectologista e membro do Núcleo de Estudos em Saúde Coletiva da UFRN, o estado ainda está em uma curva de crescimento dos casos de infectados. Uma das novas recomendações, de acordo com ela, deverá ser a ampliação dos cuidados com os idosos e o aumento do uso de máscaras por parte da população – ação que ela considera que tem se mostrado eficiente na diminuição da disseminação da doença.

“Nós podemos ampliar mais a proteção do idoso? Se pudermos, vamos fazê-lo. O uso de máscara é um ponto que a gente já assumiu que vai recomendar”, afirma.

Porém, a médica ressalta que ampliar a proteção ao idoso não significa reduzir os cuidados com as outras faixas etárias. Segundo ela, os dados têm mostrado que no momento em que é liberado o contato social de um seguimento, ele se encarrega de acelerar a curva de casos, porque esse grupo se encarrega de contaminar os outros.

“O jovem, mesmo que ele se contamine, ele não vai ter muito problema, mas ele leva o problema para dentro de casa. E dentro de casa, tem o idoso”, afirma. “Neste momento, o comitê entende que não dá para liberar os estudantes, por exemplo, liberar escola e faculdade. A gente tem trabalhado com a revisão dos setores que são prioritários, se há setores que deviam estar entre os prioritários e foram excluídos”, considerou.

Projeções

Em entrevista coletiva na tarde dessa segunda-feira (15), o professor José Dias do Nascimento, do Instituto de Física da UFRN, também apontou que as projeções matemáticas estimam 55 óbitos no Rio Grande do Norte até a próxima semana. Uma projeção que ele considera conservadora.

Durante a apresentação, o pesquisador ponderou que as projeções têm objetivo de preparar os gestores para os momentos de crise e que praticamente todas estão erradas, porque não é possível ter uma premonição do futuro, mas apenas seguir modelos baseados na realidade atual. “Todas as projeções estão erradas, mas existem aquelas que são úteis”, declarou.

Para ele, no entanto, o número de infectados no estado não cresceu a ponto de atingir números que já tinham sido estimados pelas autoridades anteriormente graças às medidas de isolamento.

Fonte: G1RN

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