A Copa do Mundo potencializa as atenções do povo brasileiro, ainda mais com a crescente performance de nossos craques. Nem o fiasco de 2014, que produziu críticos aos atletas da bola, parece desalentar os otimistas de agora. Afinal é conhecida a memória curta do brasileiro, basta ver em épocas de eleição quando acabam reeleitos alguns considerados fichas-suja de outrora. Na peleja do cotidiano, a paralisação dos caminhoneiros foi um hiato na vida de um povo em processo gradual de evolução, em certo sentido, uma sociedade que cultiva o esquecimento e a desinformação no tocante a escolhas de seus governantes. Neste precedente cenário eleitoral, a preocupação se volta para as alardeadas fake News, que poderão fazer alterar, para pior, certos critérios pessoais de autoavaliação na escolha de candidatos eletivos.
A cada episódio expandido pela mídia eletrônica, a verdadeira face do povo brasileiro se revela, notadamente, fazendo surgir uma relação acentuada entre amor e ódio, e tal reação reacende nas ruas ou nas mídias sociais. Seja no debate político durante dificuldades econômicas latentes, seja na audiência de novelas, no viés maniqueísta entre mocinhos e vilões; ou ainda, na rivalidade do futebol. Herança cultural? Legado de crenças, mitos, conjunto de valores morais ou espirituais; lato senso, a discussão é infinda.
De real temos que o apelo popular da vez é a Copa do Mundo, até que o melhor ou o pior aconteça por fim. Se houver a vitória, não há dúvida que setores políticos procurarão capitalizar a ambientação de otimismo e euforia generalizada. Por outro lado, muitos já advertem para os solavancos que podem abalar os avanços societários da Operação lava jato.
O mais importante é que a sociedade consiga sem pausa seguir evoluindo, nem que seja aos solavancos mesmo. Que os princípios essenciais da liberdade de associação sadia e de expressão se estabeleçam; que a melhora do esclarecimento e da informação a todos seja a ótica neste ano de pleito geral. Que exista o esforço para que não existam distinções ou privilégios de classe, hereditários ou arbitrários, como assinalada na Carta Magna, particularmente no artigo 5º da Constituição Federal, que trata dos direitos e garantias do cidadão. Melhor é torcer pela seleção, sim, com um olho no padre e outro na missa, já antevendo o caráter responsável e societário que não deve falhar na plena oportunidade democrática de outubro.
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