Com os novos episódios, agosto já soma cinco casos emblemáticos: três de recuperação judicial e dois de recuperação extrajudicial. E há diversos fatores em comum entre eles.
A lista deste mês inclui a Alliança Saúde, a Marabraz e as Casas Bahia. Considerando todo o ano de 2026, são 12 pedidos de recuperação judicial ou extrajudicial.
As dificuldades financeiras têm atingido empresas de diversos setores, como saúde, indústria e energia. A maior concentração de casos, no entanto, está no varejo e no consumo.
“É no varejo de bens duráveis que dói mais, e por um motivo simples: ele é atingido pelas duas pontas do negócio ao mesmo tempo”, afirma André Matos, CEO da MA7 Capital.
“[A taxa Selic] veio aumentando por uma série de motivos econômicos e chegou a 15%. Agora, está em um ciclo lento de baixa. O problema é que o endividamento dessas empresas, que cresceram durante a pandemia, ficou muito caro”, explica.
E não é só isso. O Grupo Gennius, do Habib’s, afirmou em seu pedido de recuperação que a mudança no comportamento dos consumidores depois da quarentena foi um dos fatores responsáveis pela crise financeira. Para os restaurantes, o aumento dos pedidos por delivery e a menor circulação de pessoas nas unidades contribuíram para o fechamento de diversas lojas.
Paula Sauer, professora da FIA Business School, afirma que a rede enfrenta custos elevados com matérias-primas, energia, salários e aluguel, enquanto atua em um segmento de preços baixos e com muitas opções para o consumidor.
O Grupo Toky, dono das marcas Tok&Stok e Mobly, entrou com pedido de recuperação judicial para reorganizar cerca de R$ 1 bilhão em dívidas.
A empresa vinha enfrentando dificuldades financeiras desde a pandemia, quando fechou mais de 17 lojas, e afirmou que o cenário do setor de móveis e decoração agravou os problemas.
O Grupo Hortus, controlador do St Marche, entrou com pedido de recuperação judicial para renegociar R$ 574,3 milhões em dívidas. A rede também acertou sua venda ao grupo chileno Cencosud, operação que depende da aprovação da Justiça e do Cade.
Uma das maiores redes de tratamento contra o câncer do país, a Oncoclínicas entrou com pedido de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 5,1 bilhões em dívidas financeiras. Segundo a empresa, o processo não interrompe o atendimento aos pacientes nem as atividades do dia a dia.
A Alliança Saúde entrou na Justiça com um plano de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 1,1 bilhão em dívidas. A proposta prevê diferentes formas de pagamento aos credores, incluindo a conversão da maior parte da dívida em participação na empresa.
Fonte: G1
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