CARNAVAL DO MEU TEMPO – 

Com a minha tristeza e o meu recolhimento, tive tempo de pensar na época de menino, no carnaval daquela geração, que hoje é bem diferente. Não digo que é melhor nem pior, pois todo acontecimento alegre para um jovem sempre vai ser a melhor época, só porque éramos jovens, então para mim era melhor.

Havia as marchinhas que são cantadas até hoje. “Hindu minha linda hindu/ que nasceu em Calcutá/É melhor ser minha esposa/ Do que ser esposa do Rajá,” hoje, fazendo sucesso. Haviam os blocos carnavalescos que mandavam um “convite” para os nossos pais e amigos, anunciando os “assaltos” em suas casas. Lembro-me do Sabalanço, Xamego, Peraltas, Jardim de Infância, Corsários do Amor, Deliciosos na Folia, Kafageste, Puxa Saco e muitos outros.

Lembro-me também de Dozinho, “nosso querido Dozinho.” Mandei fazer uma linda fantasia/Bem diferente por ser toda de capim/ Sai com ela e me descuidei/ O jerico comeu toda/ E eu fiquei assim,” meu amigo Airton Ramalho que fez Natal toda cantar a sua música.” Pio Décimo praça que desapareceu/Praça de muitas recordações/ Foi lá que o nosso amor nasceu/Onde guardei meu coração/”

As matinês, no América, Aero Clube, ABC, Atlântico, Alecrim Clube e outras, em que as moças (naquela época, quase todas eram) fantasiadas mostrando a barriguinha e agente olhando de soslaio, atirando lança perfume, procurando atingir o umbigo. Fio dental era usado exclusivamente para limpar os dentes. Haviam os confetes, as serpentinas e os salões ficam cheios.

O corso, o corso lembro-me que era feito em um retângulo formado pelas ruas Deodoro, João Pessoa, Rio Branco e Ulisses Caldas, depois só na Rua Deodoro, ocupando as duas mãos. Começava no final da tarde indo até a meia noite. Era um desfile de carros fechados ou abertos e quem não tinha automóvel, ficava em pé nas calçadas para ver passar os blocos e também as tribos indígenas que eram blocos formados por pessoas que moravam nas Rocas e Alecrim e que vez por outra, estavam brigando entre si.

Vinha a quarta feira, e com ela na parte da tarde, as matinês nos cinemas Rio Grande, Nordeste, onde os namoros iniciados durante o carnaval eram tentados a dar prosseguimento. À noite, reuniões em baixo da luz dos postes que ficavam em frente ao Rio Grande, ou no cruzamento das Ruas Prudente de Morais e Mossoró. Naquele momento repassávamos todos os lances vividos durante este período.

Passou o tempo, o meu carnaval passou. Hoje apenas olho de longe e até me alegro, vendo o povo feliz pelo menos durante seis dias.

Guga Coelho Leal – Engenheiro e escritor, membro do IHGRN

As opiniões emitidas são de responsabilidade dos colaboradores
Ponto de Vista

Recent Posts

COTAÇÕES DO DIA

  DÓLAR COMERCIAL: R$ 5,0360 DÓLAR TURISMO: R$ 5,2350 EURO: R$ 5,6410 LIBRA: R$ 6,7450…

1 dia ago

Google vai pagar a quem usar menos energia elétrica para aproveitar as sobras em seus data centers

O Google anunciou nessa quarta (22) que vai pagar a moradores e empresas nos Estados…

1 dia ago

PONTO DE VISTA ESPORTE – Leila de Melo

  1- O Flamengo foi eliminado da Libertadores pelo Estudiantes, nessa quinta-feira (22), na disputa…

1 dia ago

Eleições em Israel fazem milhares de israelenses voltarem ao país apenas para votar

Numa disputa eleitoral tão polarizada, cada voto conta e pode ser decisivo para definir o…

1 dia ago

Disque-Eleições: veja como tirar dúvidas sobre o 2º turno das eleições com o TRE-RN

O Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RN) disponibilizou, mais uma vez, o Disque-Eleições, uma plataforma que tira…

1 dia ago

Ônibus de Natal serão gratuitos no 2º turno; veja como consultar horários

O transporte público de Natal será gratuito neste domingo (25), dia do segundo turno das…

1 dia ago

This website uses cookies.