CANÇÕES DE BERÇO – 

O livro “Canções de Ninar e Cantigas Infantis” está pronto. É uma invenção de Dina, minha irmã, admirada parceira de todas as horas. O seu trabalho, de exímia artesã, reuniu canções dispersas, anotando as mudanças do canto à primitiva letra. Como novidade, todas as músicas estão em QR Code.

A canção de ninar é a primeira e mais terna comunicação, um segredo íntimo entre mãe e filho depois do útero. O andamento é suave e o ritmo lento, favorecendo o adormecer. A música, feita com harmonia simples, induz ao sono.

Por gentil nobreza do bibliófilo Vicente Serejo, foram muito úteis duas preciosidades literárias: “O Acalanto e Cantigas de um Folclore Tenebroso”, de Carlos Del Nero, e “O Acalanto e Horror”, de Ana Lúcia Cavani Jorge, além de relembrar meu querido Veríssimo de Melo com seu “Folclore Infantil”, o melhor livro sobre o tema escrito em língua portuguesa. Já o teatrólogo paraibano, nascido em Alagoas, Altimar Pimentel, é ímpar em seus estudos sobre cantiga de roda.

Talvez por conta do medo infantil, em razão das lendas de horror ouvidas, dediquei-me a fazer canções personalizadas, que refletissem o amor, o carinho e a esperança aos meus filhos (Leila, Diogenes Neto, Cristine e Karenina). Em seguida, para os netos e sobrinhos. A primeira tentativa foi uma canção brincalhona que dizia: “O papai é doidinho por ela. / Ela é doidinha pelo papai. / O papai só quer bem a Leilinha, / que só quer bem a papai”. Hoje, minha musa é, dedicadamente, procuradora do Estado. A primeira canção, que se seguiu à dos filhos, foi para Natália, sobrinha-neta, atualmente advogada criminalista de excelência.

O Brasil tem artífices inimitáveis, criadores de acalantos. Abordam temas de alegria, amor, ternura. Dão movimento, utilizam rimas e ritmo marcantes. São cantadas por todas as classes sociais. A mais humilde das mães murmura canções tradicionais. O presidente Juscelino Kubitscheck encantava-se com “Peixe Vivo”, que não poderia viver fora da bacia. Possivelmente, alimentado por estar proibido de voltar a Brasília. Vinicius de Moraes, com “A Casa” – não tinha teto nem nada –, estimula a imaginação e a fantasia.

Não tenho pretensão de concorrer com os mestres compositores de cantigas de ninar, desejo, apenas, que sejam positivas, transmitam segurança e esperança de um futuro feliz. E mais: a riqueza do sonho e a beleza da vida.

 

 

 

 

 

Diogenes da Cunha Lima – Advogado, Poeta e Presidente da Academia de Letras do RN

As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores
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