CAFÉ COM GOTAS DE PAZ –
Recebi uma foto de um amigo. Um copinho descartável com café sobre o fundo de um jardim bem cuidado. Ele me dizendo que era a hora que sentia paz. Imediatamente, senti o cheiro e o sabor do café que tomava na adolescência, quando papai trabalhava na Embratel. Eu era conhecida por todos os funcionários, enquanto eles me viam crescer, sabendo de minha história, de minhas conquistas, de meus medos.
Um destes funcionários, Tavares, amigo de papai, ensinou-me o bendito “número x” nas equações matemáticas. Eu não entendia como o x aqui era 6 e ali era 9. Em uma tarde de sábado ele me mostrou o que eu achava impossível e depois disso me apaixonei por equações. Até hoje! Alguns outros me viram, ao começar a dirigir, bater no portão do estacionamento e ralar toda a lateral do carro novo de papai. Considerando que o portão tinha uns 5 metros de largura, eu consegui uma façanha. Fui elogiada por eles, entre muitas gargalhadas de quem nos viu ainda de fraldas, falando como eu fui péssima motorista.
Outro, Antônio, deu-me uma bronca enorme quando fiz mais de quatro horas de auto-escola seguidas e meus pais acharam que eu tinha sido sequestrada. Papai não falou nada quando eu voltei para casa, inocente, achando que ele havia combinado com o instrutor. Entretanto, Antônio deu me uma bronca que lembro até hoje. Sorrindo!
Mas, nada me alegra mais que a lembrança e o sabor daqueles cafés, servidos com tanto carinho, em copinhos descartáveis comuns. As funcionárias da copa, com seus uniformes azuis, paravam para conversar comigo, perguntando sobre a escola, as bonecas novas, o balé, o vôlei, as férias, o namorado, o vestibular, a faculdade, o noivado, os preparativos para o casamento. Elas estavam lá, vendo-me entrar na igreja com papai emocionado, eu com um sorriso no rosto, enquanto o padre proferia as palavras que nos tornavam um do outro diante dos olhos da Igreja e da sociedade.
Hoje, bebendo cafés em mil cafeterias por todos os cantos, não achei um café mais saboroso que o delas, pois o amor que tinha ali era a pitada que fazia diferença. E quando recebi a foto deste amigo querido, dizendo que era seu momento de paz, entendi exatamente o que ele queria dizer.
E voltei a ser criança, com os pés balançando, pois não encostavam no chão, com duas chiquinhas coloridas no cabelo e o uniforme da escola, segurando o copo descartável de café e passando de colo em colo para marcar o ponto de fim de expediente dos funcionários da Embratel, pois eles sabiam que eu amava aquela máquina e o barulho dela perfurando os papéis. Que delícia de café…
Bárbara Seabra – Cirurgiã-dentista, Professora universitária e Escritora
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