Se os animais da pecuária brasileira fossem divididos igualmente entre todos os moradores do país, daria mais de um boi e quase oito galinhas para cada brasileiro.
Os dados são da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) 2025, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados nesta quarta-feira, 30.
Para chegar a esses números, basta colocar os números lado a lado: o Brasil tinha cerca de 213,4 milhões de habitantes e 234,3 milhões de bovinos em 2025. De galináceos (galinhas, frangos e galos), eram cerca de 1,6 bilhão.
➡️ Na prática, isso dá 1,1 boi e 7,5 aves por brasileiro. Ou, arredondando, mais de um boi e quase oito galinhas. “Galinhas”, aqui, é uma simplificação para o termo “galináceos”, usado pelo IBGE, para cada pessoa.
O Brasil terminou 2025 com 234,3 milhões de bovinos, uma queda de 1,7% em relação ao ano anterior. Foi o segundo ano seguido de redução do rebanho e o menor número desde 2022.
O Centro-Oeste concentrava a maior parcela, com 72,2 milhões de bovinos, ou 30,8% do total nacional. Em seguida vinham o Norte, com 63,4 milhões (27%), e o Sudeste, com 37,4 milhões (15,9%).
Entre os estados, Mato Grosso liderava, com 31,6 milhões de cabeças, seguido por Pará, com 25,6 milhões, e Goiás, com 22,5 milhões. Minas Gerais e Mato Grosso do Sul completavam os cinco maiores rebanhos. Juntos, os cinco estados concentravam 51,1% dos bovinos do país.
A redução do rebanho não significou queda na produção de carne bovina. Em 2025, o Brasil bateu recorde no número de bovinos abatidos, com 43 milhões de animais.
As exportações de carne bovina in natura também registraram recordes: o volume cresceu 21,4% e a receita aumentou 42,5%.
A China foi o principal destino, respondendo por 53,3% do volume exportado pelo Brasil. As compras chinesas cresceram 24,6%. Os Estados Unidos ficaram em segundo lugar, com aumento de 18,8% nas compras brasileiras.
Entre os municípios, São Félix do Xingu (PA) aparece no topo do ranking, com 2,7 milhões de bovinos. Localizado no sul do Pará, o município tem cerca de 63 mil habitantes e uma área de mais de 84 mil km².
A pecuária é uma das principais atividades econômicas de São Félix do Xingu, que há anos aparece entre os municípios com os maiores rebanhos bovinos do país.
Uma cidade com grande território mas com população relativamente pequena, cenário que ajuda a entender por que o número de bois é tão maior que o de moradores, são cerca de 43 bovinos para cada morador.
Na sequência aparecem Corumbá (MS), com 2,2 milhões de bovinos; Porto Velho (RO), com 1,7 milhão; Cáceres (MT), com 1,4 milhão; e Marabá (PA), com 1,3 milhão. Juntos, os cinco municípios concentram cerca de 9,3 milhões de cabeças, o equivalente a aproximadamente 4% de todo o rebanho brasileiro.
O Brasil também produziu mais leite mesmo com menos vacas. O número de vacas ordenhadas caiu 2,7%, para 14,7 milhões de animais, o menor efetivo desde 1979.
Ainda assim, a produção chegou a 36,7 bilhões de litros, recorde da série histórica e 2,7% maior que a do ano anterior.
Com menos vacas, o aumento veio principalmente do ganho de produtividade: cada animal produziu, em média, 2.498,7 litros de leite no ano, alta de 5,6%. O valor de toda essa produção chegou a R$ 89,5 bilhões.
O Brasil tinha cerca de 1,6 bilhão de galináceos em 2025, alta de 1,6% em relação ao ano anterior. Na divisão pela população, são aproximadamente 7,5 aves por brasileiro.
A produção de ovos também cresceu. O país produziu 5,7 bilhões de dúzias em 2025, o equivalente a cerca de 68 bilhões de ovos. Na média, são aproximadamente 321 ovos por brasileiro no ano.
Um dos casos mais extremos aparece em Santa Maria de Jetibá (ES).
O município tinha cerca de 41 mil habitantes, mas mantinha aproximadamente 15,1 milhões de galinhas poedeiras em 2025.
Na divisão, são cerca de 370 galinhas poedeiras para cada morador. Arredondando, é como se houvesse quase 400 galinhas por habitante.
Considerando todos os galináceos, o município tinha cerca de 18,4 milhões de aves.
A criação de aves também tem peso na economia local. Santa Maria de Jetibá registrou aproximadamente R$ 2,1 bilhões em valor de produção de origem animal em 2025, com forte participação dos ovos.
Em 2025, o país também tinha aproximadamente 44 milhões de suínos, 22,3 milhões de ovinos, 16,8 milhões de codornas, 13,5 milhões de caprinos, 5,6 milhões de equinos e 1,8 milhão de bubalinos.
Na piscicultura, Morada Nova de Minas (MG) liderou a produção de peixes em cativeiro, com cerca de 32 mil toneladas.
O valor da produção de origem animal e da aquicultura chegou a aproximadamente R$ 141,2 bilhões em 2025.
O leite respondeu por R$ 89,5 bilhões, enquanto os ovos movimentaram R$ 36,4 bilhões.
Os números mostram a dimensão da produção animal brasileira, mas também uma mudança importante. Em alguns segmentos, o país está produzindo mais mesmo com menos animais. No leite, por exemplo, o número de vacas caiu, enquanto a produção e a produtividade bateram recordes em 2025.
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