BASTA PRESIDENTE! –
“Inadmissível” é a palavra que define o comportamento ontem, 21, do presidente Bolsonaro com uma jornalista em Guaratinguetá, no interior de São Paulo.
Na entrevista, o chefe do governo perde o equilíbrio e usa palavras como “merda”, “porcaria”, “canalhas” e por aí vai.
A causa da irritação presidencial foi a indagação da repórter sobre o uso de máscara como cautela sanitária.
A partir daí o presidente desandou.
A liberdade de imprensa está definida no artigo 220 da CF, como a “manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo”.
Não é um princípio absoluto. Há exceções.
A própria Constituição define sanções, tais como, o direito de resposta, e a indenização por dano material, moral ou à imagem; além da garantia de inviolabilidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas.
O destinatário da informação filtra o que é é divulgado e forma a sua própria opinião.
Não está obrigado a concordar com tal ou qual jornalista.
Como em toda atividade humana, os profissionais da imprensa podem exceder-se e responderão perante a lei.
A liberdade nesse caso abrange a liberdade de divulgar a informação e exclui a impunidade por descomedimentos porventura praticados.
Na abordagem desse episódio ocorrido em Guaratinguetá, não está em jogo ser correligionário, ou não, do presidente Jair Bolsonaro.
O que se evidencia não é apenas o respeito à liberdade de expressão, mas sobretudo a defesa de uma postura presidencial, compatível com as tradições republicanas brasileiras.
A pandemia exige união, em torno de soluções comuns.
Para haver união é necessário a tolerância.
Aliás, aplica-se o autor alemão Goethe ao dizer, que “o sucesso reside em três coisas: decisão, justiça e tolerância”.
Um Presidente de República não pode deixar de seguir esse conselho, até sendo injustiçado.
Infelizmente impõe-se repetir, que a maior dificuldade de Bolsonaro é conviver com ele mesmo, ao decidir “abrir a boca e criar crises”.
O seu governo teria muitos pontos positivos a relatar.
Mas, prefere essa linguagem chula, desqualificada, agressiva.
O mais preocupante é que tais atitudes tresloucadas poderão criar condições políticas para a volta de personagens políticas do passado, que envergonharam a ética política e saquearam a Nação.
De certa forma, o presidente, agindo como age, ajuda essa estratégia dos seus ferrenhos opositores.
Todas as pesquisas apontam para a existência de cerca de 35 a 40 por cento de eleitores “não radicais”, que rejeitam as inconsequências do fanatismo de direita, ou de esquerda.
Por mais que se deprecie a palavra “centro”, associando-a ao “centrão brasileiro”, a filosofia mostra o contrário.
Aristóteles já disse, que a “a virtude consiste em saber encontrar o meio termo entre dois extremos”.
O presente texto não é para agradar o governo.
O único objetivo é de quem não deseja a volta ao passado da política brasileira.
E para que isso não ocorra, alguém terá que dizer ao presidente “basta”.
O Brasil não é um pelotão de soldados, subordinados a um comandante.
O Brasil exige do seu presidente “tolerância” e equilíbrio político para conviver com as adversidades, geradas por esse momento trágico da pandemia.
O Brasil precisa de atitudes de estadista e não confrontos permanentes.
Ney Lopes – jornalista, ex-deputado federal, professor de direito constitucional da UFRN e advogado
DÓLAR COMERCIAL: R$ 5,1190 DÓLAR TURISMO: R$ 5,3240 EURO: R$ 5,8330 LIBRA: R$ 6,8250 PESO…
Um professor universitário viralizou nas redes sociais ao contar que reprovou 32 de 35 alunos…
O Conselho Curador do FGTS autorizou o pagamento de R$ 13,04 bilhões relativos ao lucro do Fundo de Garantia…
O açude Outeiro, um barragem particular na zona rural de Canguaretama, distante cerca de 75 km…
Uma menina de dois anos morreu afogada na noite desta segunda-feira (27) após cair dentro…
O adolescente suspeito de matar Washington Rodrigo, de 33 anos, encontrado morto em um quarto de…
This website uses cookies.
View Comments
Prezado Ney, tenho acompanhado suas postagens no blog de nosso amigo Nelson.
Sempre oportuno e sereno em suas análises que, em alguns momentos, nos ensina muito sobre política.
Mais uma vez seu texto é assertivo.
Apenas uma observação, infelizmente o senhor Presidente não reúne condições sob nenhum aspecto para liderar este país ou qualquer outro que seja uma democracia plena.
Arrependo-me amargamente de ter jogado fora meu voto na última eleição presidencial. Nunca votei no PT por princípios mas errei na escolha de Bolsonaro. Qualquer outro seria melhor para o país.