BASTA! – 

“Não quero mais contar as perdas… quero apenas recontar os amigos que me restam”. (C.A. Josuá Costa)

Não tinha mais a intenção de escrever sobre essa pandemia que afronta e rompe, abruptamente, os laços que nos irmanam àqueles que aprendemos a gostar e a compartilhar os nossos sentimentos, visões e opiniões sobre tudo e sobre todos – os amigos.

Mas uma mensagem recebida de uma dessas queridas amigas, Socorro Praxedes, despertou em mim a retomada do assunto. Dizia ela: “Já pensou em escrever algo sobre esse sentimento de terror que estamos vivendo pelo Covid? De nos sentir perseguidos ou tentando ser fugitivos tomados pelo medo do invisível? É complexo né?”

É complexo sim, principalmente para quem está vivenciando essa situação. O desafio de expressar os efeitos físicos, mentais e emocionais provocados ora pelo medo ora pelo luto, certamente, é assustador.

É verdade que a dor de perder alguém que amamos é demasiadamente forte, mas é sabido que essa tristeza não vai durar para sempre. O tempo é mestre em ensinar, aos poucos, a lidar com o equilíbrio emocional. Claro que a ajuda da família e dos amigos e a confiança em Deus são determinantes para essa superação e retomada da temperança. Cada um tem a sua medida de consolação. O tempo maior ou menor estará associado ao seu estágio de compreensão da existência humana. Em Provérbios 14:10 diz: “Cada coração conhece a sua própria amargura”.

A ansiedade que nos consome diante da incerteza do fim desta luta desigual e invisível se reflete na percepção de quão perigosa ou ameaçadora a pandemia se perfaz. “Sinto medo e essa condição me torna ansiosa e depressiva”, disse-me outra amiga.

Cada vez que se anuncia que um parente ou um amigo está com “Covid-19”, parece que escutamos os passos sombrios da chegada da angústia e da impotência em poder agir em favor deste ente querido. Resta-nos convocar os demais amigos para formar uma corrente de orações efetivas e afetivas. Será um nome a mais nas listas daqueles que estão totalmente vulneráveis, mas nas mãos de anjos terrenos e do socorro divino.

É triste! Tão triste quanto dizer que vai rezar e ficar apenas no dito. A situação exige perseverança, compromisso com o outro diante do Senhor Deus pela cura em favor daqueles que confiaram a você e a mim um instante de súplica por sua recuperação. Claro que a decisão final não será a nossa, mas nossas orações se somarão para que o Pai possa avaliar, se assim for possível, o seu planejamento celestial para aquele seu filho(a).

Não somos donos do nosso destino tampouco imortais frente à vida terrena. Isso, por si, torna normal ter dificuldades para controlar as emoções quanto deparamos uma situação que nos angustia.

Enquanto escrevia esse texto recebi o seguinte “telegrama”:

De: Morada Celestial

Para: Josuá Costa

“Caro Josuá, estamos bem. Encontramos vários amigos e familiares. A todo instante chegam milhares, mas aqui há muitas moradas. Todos estão sendo bem acolhidos. Não se turbe o vosso coração.

Saudações: Frazão, Jorginho, Omar, Francival, Marcelo, Helena, Jéssica, Alfredo, Thaís, Renato…”

Portanto, Socorro Praxedes e demais amigos, resta-nos perseverar na fé e nos cuidados necessários para que não sejamos engolidos pelo medo e tolhidos pela angústia.

Em Mateus 25:46 diz: “As pessoas que amam a Deus vão sobreviver a essa destruição e receberão a vida eterna”. Com certeza os nossos entes queridos amavam e ainda amam a Deus e, portanto, já superam a doença que os consumiu e receberam a vida eterna. Conforme anunciado no “telegrama”.

Concluo esperançoso que essa “ladra de vidas” – a pandemia –  seja vencida e que possamos compreender o dito em Provérbios 15:13  “A alegria do coração transparece no rosto, mas o coração angustiado oprime o espírito”.

Sigamos firmes e confiantes!

 

 

 

 

 

Carlos Alberto Josuá Costa – Engenheiro Civil, escritor e Membro da Academia Macaibense de Letras (josuacosta@uol.com.br)

As opiniões contidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
Ponto de Vista

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  • Oi tio! Esse texto é muito bom e acho que condiz com a realidade que estamos passando. Todos os dias escutamos notícias de amigos ou familiares que pegaram a doença, mas quando acontece dentro da sua casa ou com você, a situação é diferente. Ainda bem que Serginho teve uma recuperação tranquila e ninguém aqui em casa pegou. Novamente, parabéns pelo texto!

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