AVIÕES – Bárbara Seabra

AVIÕES –

Fugimos em lua-de-mel em julho. Fomos conhecer Curitiba e desligar um pouco da correria contínua. Uma semana de folga, sem horários, sem preocupações. Sem preocupações? Isso lá existe na vida adulta? Melhor dizer que foi sem rotina, sem a responsabilidade de cuidar da casa, responder e-mails de trabalho, essas coisas.

Pegamos dois vôos e, em poucas horas, estávamos do outro lado do país. Eu, envolvida pelo romance de Marian Keyes no meu Kindle. Flávio assistindo séries pelo celular. Entre uma coisa e outra, olhávamos para o avião e pensávamos como tudo mudou.

Lembro de, na infância, mamãe me arrumar para pegarmos o avião em direção ao Rio de Janeiro, para visitar a família. Sim, ia arrumada! Hoje, os chinelões e bermudinhas tomam conta da paisagem avionesca! Entramos no avião com certa dificuldade. Não pelo horário ou pelas malas, mas pela dimensão imposta. Flavinho tem mais de 1,80m e, de verdade, mal cabe naquela cadeirinha. Ir ao banheiro é um suplício. Larguei o Kindle e comecei a recitar meu terço. Enquanto eu me perdia achando-me nas orações, vejo Flavinho sorrindo. Paro em meio a uma Ave Maria e questiono o motivo da risada:

– O que mais vão nos tirar?

– Como assim?

– Não tem mais espaço para sentar! Não tem mais revista de bordo!

– Não tem mais saquinho para vomitar! – respondo. – Nem as marmitinhas das comidas para crianças.

Recebemos para um vôo de 3h de duração um pacote com 1 cookie (UM!) e olhei para minha bolsa feliz, pois nunca viajo sem balas, chicletes e chocolates. E, juro, senti um certo constrangimento por parte da aeromoça ao entregar aquele pacotinho minguado e me dizer que se eu quisesse mais um poderia pedir. Tadinha!

Lembrei da alegria de ir ao aeroporto buscar papai nas suas infinitas viagens a trabalho. Olhar o avião aterrissando e posicionarem a escada, com chuva ou sol.

– Vamos ver quem vê seu pai primeiro!

Mamãe dizia para acalmar o coração da filha que esperava ansiosamente pela marmitinha do vôo e os presentes comprados na cidade onde ele estava.

Hoje, com o aeroporto distante e de acesso duvidoso, pedimos sempre Uber para não dar trabalho a ninguém ao nos buscar. Até isso nos foi tirado.

É! Acho que não falta tirar mais nada…

 

 

 

 

 

 

Bárbara Seabra – Cirurgiã-dentista e Escritora

As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores
Ponto de Vista

Recent Posts

COTAÇÕES DO DIA

DÓLAR COMERCIAL: R$ 5,3080 DÓLAR TURISMO: R$ 5,5170 EURO: R$ 6,2250 LIBRA: R$ 7,1560 PESO…

1 dia ago

MP denuncia oito pessoas por esquema de sonegação que causou prejuízo de R$ 1,5 milhão no RN

O Ministério Público do Rio Grande do Norte ofereceu denúncia contra oito pessoas investigadas em…

1 dia ago

Motorista de carreta-tanque fica preso às ferragens após acidente na BR-101 no RN

Uma carreta-tanque tombou na BR-101, em Goianinha, no litoral Sul do Rio Grande do Norte,…

1 dia ago

Viatura da PRF capota durante perseguição a motociclista na BR-101 na Grande Natal

Uma viatura da Polícia Rodoviária Federal (PRF) capotou na noite dessa quarta-feira (21), durante uma…

1 dia ago

RN tem recorde de transplantes em 2025, mas segue com filas de espera por órgãos

O Rio Grande do Norte registrou um recorde no número de transplantes de órgãos realizados…

1 dia ago

Justiça condena governo do RN a pagar R$ 500 mil de indenização por assédio moral em secretaria

A Justiça do Trabalho condenou o estado do Rio Grande do Norte a pagar R$ 500…

1 dia ago

This website uses cookies.