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Aumento do desemprego leva pessoas à informalidade

Como já foi amplamente divulgado, a taxa de desemprego alcançou 9% no trimestre terminado em outubro de 2015. A tendência infelizmente, é piorar. Segundo o consultor Rodolfo Peres Torelly, ex-diretor do Departamento de Emprego do Ministério do Trabalho e da Previdência, o emprego formal está desabando e não tem como a desocupação não chegar a dois dígitos neste ano. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 9,1 milhões de pessoas procuravam emprego entre agosto e outubro do ano passado, 2,5 milhões a mais que em 2014.

A perda de quase 1,2 milhão de vagas formais no mercado, nos últimos 12 meses, é um dos fatores por trás do aumento na procura por emprego, explicou o coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo. Ele ressalta que muitas pessoas até conseguiram recolocação, mas sob condições piores e, não raro, ganhando menos. É por isso que pessoas que antes não trabalhavam nem buscavam emprego agora tentam ajudar na recomposição do orçamento da família.

O nível de ocupação, no entanto, se manteve estável em 92,3 milhões de pessoas, com recuo de 0,3% sobre o mesmo período de 2014. O que tem segurado a taxa de ocupação nesse patamar é o setor de serviços domésticos e a pessoa que vai trabalhar por conta própria, com recolhimento para a Previdência ou não. Só o trabalho doméstico, no período, criou 200 mil novas vagas. Além desses, outro setor contribuiu para que o número não fosse mais alto: o de hotelaria, que também empregou 200 mil profissionais.

O mercado não está absorvendo as pessoas que foram demitidas e isso acarreta uma nova reorganização da mão de obra, com substancial perda de carteira assinada. Isso obriga as pessoas a migrarem para outras ocupações mais instáveis, inclusive para a informalidade. O setor que mais demitiu no trimestre encerrado em outubro foi o de informação, comunicação, atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas, com extinção de 580 mil vagas (-5,4%). Em 12 meses, no entanto, a indústria continuou imbatível com o fechamento de 751 mil postos de trabalho (-5,6%). Entre agosto e outubro, a queda foi de 2,6%, 336 mil empregos.

Ponto de Vista

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