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Atores à Deriva recebe Funarte para celebração dos 20 anos do Circuito Myriam Muniz em Natal

Foto: Bruno Martins

No último domingo, 15 de junho, a Casa da Ribeira, em Natal (RN), foi palco da celebração dos 20 anos do Circuito Myriam Muniz. O grupo potiguar Atores à Deriva contou com a presença da presidenta da Funarte, Maria Marighella, que fez a abertura oficial do encontro. O evento destacou a importância histórica do programa e reafirmou seu papel como política pública essencial para a difusão do teatro brasileiro em todo o território nacional, especialmente fora dos grandes centros urbanos.

A programação integrou o projeto “Fabulações Coletivas: diálogos e movimentos”, idealizado pelo Coletivo Atores à Deriva (RN), que promoveu intercâmbios com os grupos Magiluth (PE) e Inquieta Cia. (CE) ao longo de uma intensa jornada artística em Natal, Fortaleza e Recife. Maria Marighella fez a abertura oficial do encontro, antecedendo a mesa de debate “Circuito Myriam Muniz: difusão do teatro brasileiro”, mediada por Heloísa Sousa (Revista Farofa Crítica) com representantes dos grupos Atores à Deriva (RN), Magiluth (PE) e Inquieta Cia. (CE). O debate foi seguido de apresentação do espetáculo “Tchau, Amor”, da Inquieta Cia.

Em sua fala de abertura, Maria Marighella destacou a urgência de políticas públicas que corrijam as desigualdades históricas na distribuição dos recursos culturais no Brasil:
“O Brasil historicamente concentrou seu fomento cultural no Sudeste, especialmente nos centros das capitais. As periferias reais — como as da Amazônia, do Nordeste, do Norte — e também as zonas periféricas dentro das grandes cidades foram deixadas à margem do sistema. O Circuito Myriam Muniz representa uma virada: ele reconhece e potencializa as potências artísticas que florescem fora dos grandes holofotes. A Funarte tem orgulho de celebrar 20 anos dessa história, agora fortalecida pela Política Nacional das Artes.”

Marighella também anunciou a criação de uma plataforma digital de difusão, que reunirá informações sobre grupos, espetáculos, festivais e profissionais que integram os circuitos promovidos pela Funarte: “Essa plataforma vai além dos números. Ela dará visibilidade aos fluxos, encontros, aos artistas, técnicos, curadores, críticos e teatros que movem o sistema de difusão das artes brasileiras. Queremos que todos possam se reconhecer nessa rede. O teatro, com sua força inventiva, foi quem nos deu régua, compasso e dramaturgia para que essa política acontecesse. Boa leitura, boa jornada — que estejamos sempre nas formulações coletivas da arte brasileira.”

Durante a mesa de debate, o ator e dramaturgo Alex Cordeiro, do Atores à Deriva, emocionou o público ao compartilhar a trajetória do grupo potiguar e refletir sobre a resistência e a construção de memória no teatro da cidade: “Nosso primeiro espetáculo nasceu aqui na Casa da Ribeira. Um ano depois conseguimos alugar uma sala no prédio da frente e manter as atividades com muito esforço. Mas por pouco não sucumbimos. Perdemos essa sede, migramos para o TECESol, onde hoje somos grupo satélite. Outros não tiveram tempo de chegar à Política Nacional das Artes. É preciso reconhecer essa linha do tempo. Quando falamos de oportunidade, falamos de história — e falar de história é reconhecer o que foi construído, para garantir o presente.”

Alex também fez um chamado à reflexão coletiva sobre os desafios enfrentados pela cena local: “Muito se fala da ausência de público nos teatros em Natal. Mas talvez a pergunta deva ser outra: por que as pessoas não estão indo? Projetos como Fabulações Coletivas apontam que há demanda do público. A resposta pode estar na escuta, no encontro, no território. A continuidade dos grupos depende de políticas públicas consistentes, que garantam não apenas a sobrevivência, mas a permanência e a potência do fazer teatral.”

A celebração reforçou a potência da cultura nordestina e a importância do Circuito Myriam Muniz como política de valorização das artes brasileiras em sua diversidade de territórios, linguagens e experiências.

“Fabulações Coletivas: diálogos e movimentos” tem produção de Atores à Deriva e integra a programação do Circuito Funarte de Teatro Myriam Muniz 2023, parte do Funarte Rede das Artes – Programa de Difusão Nacional, promovido pela Fundação Nacional de Artes (Funarte), vinculada ao Ministério da Cultura (MinC).

 

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