AS PALAVRAS E AS COISAS –
Existe o mundo das palavras e existe o mundo das coisas.
Nunca coincidem perfeitamente. O conceito de cachorro não morde…
Parte da angústia humana, e também da beleza de viver, decorre do esforço que fazemos com as palavras para que exprimam, com a menor perda possível, o que vivemos e sentimos.
Olhemos o Brasil.
“Nosso povo constata com pesar e indignação que a economia não cresceu e está muito mais vulnerável, a soberania do país ficou em grande parte comprometida, a corrupção continua alta, e, principalmente, a crise social e a insegurança tornaram-se assustadoras.
O atual modelo esgotou-se.
O povo brasileiro quer abrir o caminho de combinar o incremento da atividade econômica com políticas sociais consistentes e criativas.
No entanto, é preciso ter consciência clara de que o novo modelo não poderá ser produto de decisões unilaterais do governo, tal como ocorre hoje, nem será implementado por decreto.
A construção do futuro, com dignidade, será fruto de uma ampla negociação nacional, que deve conduzir a uma autêntica aliança pelo país, a um novo pacto social, capaz de assegurar o crescimento com estabilidade.
A volta do crescimento é o único remédio para impedir que se perpetue o círculo vicioso entre metas de inflação baixas, juro alto, oscilação cambial brusca e aumento da dívida pública”.
O que leram até aqui lhes pareceu acertado e promissor.
Mas tudo o que está entre aspas não foi escrito por mim. São trechos da “Carta ao Povo Brasileiro”, assinada pelo então candidato do PT à Presidência da República, em junho de 2002.
Dá arrepio pensar no legado (sem realizar nenhuma reforma) que os governos Lula e Dilma deixaram ao Brasil.
O Lulismo usou o universo das palavras para trair o universo das coisas. Usou a política (velha) para trair a esperança de uma geração.
É o que nos mostra o confronto do mundo das palavras com o mundo das coisas.
A crise é do sistema de poder que nos governa desde sempre, com três grandes sacanagens:
1) qual o percentual de impostos sonegados no Brasil?
A sonegação fiscal nada mais é do que o roubo de impostos já devidamente pagos pelo cidadão. Essa prática se estende também ao regime da Previdência.
2) O sistema também nos faz reféns da agiotagem do sistema financeiro. E, pior que tudo, o crédito aparentemente fácil resultou no endividamento generalizado das famílias; uma bomba (bolha) de efeito retardado que vai explodir na cara dos pobres.
3) como se não bastasse, temos a corrução endêmica na ponta da aplicação dos recursos, nas obras públicas e serviços prestados ao governo, em todos os níveis.
Para completar, aparentemente, o mundo caminha, perigosamente, no médio prazo, para a barbárie de alta tecnologia. Milhões de seres humanos estão enlouquecendo com a fascinação (dependência) via internet.
O leitor sabe que – na vida, as palavras e as coisas, como em toda experiência humana, jamais coincidirão.
Sempre restarão o espaço da imaginação e o saudável esforço para alargar as fronteiras conhecidas do possível.
O que é inaceitável, isso sim, é o uso da palavra como instrumento de engodo e de trapaça.
Sabemos que o Brasil é um labirinto de conflitos e contradições.
E isso perpassa todas as classes sociais. Seu estamento intelectual – e aí se incluem os políticos – não pensa como a maioria.
Pior: nem sabe como essa maioria pensa.
Decifrar o enigma dessa esfinge é o primeiro passo para reduzir o abismo que separa a sociedade (mundo das coisas) da política (mundo das palavras).
Ah! Não adianta maldizer a realidade. Ela não deixará de ser real por isso.
Rinaldo Barros é professor – rb@opiniaopolitica.com – www.opiniaopolitica.com
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